O setor de comércio e serviços se prepara para o principal período de vendas do ano: o supertrimestre – que compreende os meses de outubro, novembro e dezembro e traz datas como Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Para este ano, a expectativa é que o período gere 130 mil vagas formais no setor, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
Esse número conta com 12 mil postos de trabalho a mais que no mesmo período de 2025 e reflete a intenção de contratação de 36% dos empresários entrevistados. Ainda que as expectativas positivas contrastem com um cenário macroeconômico nacional e internacional desafiador, a resiliência demonstrada pelo setor revela uma narrativa que merece ser destacada.
O comércio e os serviços são os maiores empregadores do país, logo, contribuem para a geração de demanda, de renda e de circulação de dinheiro, fatores primordiais para o bom desempenho econômico. Essa demanda doméstica foi, inclusive, destacada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como um dos pilares de sustentação da economia brasileira ao longo do ano, levando à revisão para cima do nosso Produto Interno Bruto: passando de 1,6% para 2%.
Para que o supertrimestre consiga transformar esse ambiente de maior confiança em resultados concretos, os lojistas precisam estar atentos às oportunidades e às novas formas de consumo.
A Black Friday, por exemplo, já não se concentra em um único dia. Afinal, grande parte dos consumidores começa a pesquisar ofertas com mais de um mês de antecedência e pretendem distribuir suas compras ao longo de novembro. Isso abre espaço para que as empresas antecipem suas campanhas, trabalhem diferentes faixas de preço e construam uma jornada que conecte Dia das Crianças, Black Friday e Natal, em vez de tratar cada data como uma ação isolada.
Nesse contexto, estratégias como o uso do WhatsApp para relacionamento e ofertas personalizadas, a integração entre loja física e canais digitais e o emprego de ferramentas de inteligência artificial para conhecer melhor o consumidor podem fazer a diferença. A cautela, porém, deve acompanhar o entusiasmo.
Em um período de juros ainda elevados e consumidor mais atento ao preço, planejamento de estoque, controle de fluxo de caixa, definição criteriosa de descontos, acompanhamento das margens e atenção à capacidade de entrega e ao pós-venda serão fundamentais. O supertrimestre é uma oportunidade para o comércio aproveitar a força da demanda doméstica e transformar os sinais positivos da economia em negócios, empregos e renda. Para isso, será preciso combinar capacidade de adaptação, conhecimento do consumidor e disciplina na gestão.