O que é o 7 de setembro? O que podemos sentir pela data e seu significado? São 204 anos dos atos de Dona Leopoldina e do Grito do príncipe regente Dom Pedro às margens do Ipiranga, na São Paulo dos Campos de Piratininga, cuja forma e regime de governo, que deram o tom acertado de Pátria/ Nação/País, foram atropelados pelo conturbado golpe de 15 de novembro de 1889, desafino inicial que levou a inúmeras crises e, rapidamente, ao centralismo da política do Café com Leite — a danada da República Velha.
O assassinato covarde de João Pessoa e a prestigiosa aliança de Minas, Paraíba e Rio Grande do Sul, que derrubou o governo Washington Luís, não aceitou a eleição do comunista Luís Carlos Prestes ao Catete, culminando na Revolução de 1930, o fim da República Velha, e fizeram presidente o governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas. Nova Revolução em 1932, a Constitucionalista, e um governo ditatorial que durou quinze anos (incluindo nele as constituições de 1891, 1934 e a autoritária “polaca” socialista de 1937, instituindo o “Estado Novo”, preparada pelo genial dorense Francisco Campos).
Nesse ínterim da década de 1930, um outro mineiro poderia ter sido um grande estadista do Brasil, o presidente de Minas Gerais Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, de 7 setembro de 1926 a 7 de setembro de 1930, completando, pois, 100 anos do início de seu governo. Com a volta do estado de direito em 1945 e a eleição de Eurico Gaspar Dutra, fez-se nova constituição (socialista) em 1946; em 1950 a volta de Vargas pelo voto até 24 de agosto de 1954 ao tiro no peito, gerando total instabilidade. Três presidentes governaram: o vice José Fernandes Campos Café Filho, de 24 de agosto a 8 de novembro de 1955; Carlos Coimbra da Luz, o “breve”, por ter sido deposto por “orquestrar” um golpe contra a posse de Juscelino Kubitschek, de 8 a 11 de novembro de 1955. Seguiu-se com Nereu de Oliveira Ramos (presidente do Senado) por 81 dias, de 11 novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956. JK, eleito em 3 de outubro de 1955, apesar de ter tomado posse sob fortes ameaças de golpe, acabou com o estado de sítio, conseguiu se manter e foi o melhor presidente: mudou a “cara” do Brasil, arrebatando-o ao futuro.
Eleito o “doido” do Jânio Quadros, esse renunciou oito meses depois. Assumiu o vice socialista João Goulart. Com instabilidades social, política e econômica, como em 1930, outra Revolução “necessária” contra o comunismo: o golpe de 1964 e nova constituição em 1967, também socialista. Voltamos ao estado de direito com a Constituição de 1988, uma Carta pesada, socialista, que gerou atualmente a pior crise de corrupção e desmandos, e o órgão que deveria protegê-la, defendê-la e segui-la à risca é questionado publicamente pela imprensa e pela população quanto ao papel constitucional que deveria cumprir. O país enfrenta outro momento delicado. Chegamos em 2026. O que se comemorar? Ainda outono, caminhando para as eleições de outubro que se avizinham, e nas cidades e nos campos a inefável beleza e esperança com o verde das árvores e o amarelo canário dos ipês e o amarelo ouro das caraíbas, e o grito abafado que vem do peito: Liberdade (ainda que tardia)! Quando voltaremos aos trilhos do Império do Brasil ou da República de JK? Quando teremos visão de Estado? Pedro II disse: “A política é o duro cumprimento do dever”, assim como “despesa inútil é furto à Nação”, ou “reduzir despesa antes de criar imposto”.
E no contexto dos Três Poderes, sugere-se o exemplo do imperador: “Jurei a constituição, mas ainda que não a jurasse, seria ela para mim uma segunda religião”.
Se ainda somos República, relembremos JK: “Não nasci para ter ódio nem rancores, nasci para construir”! “Creio que apressar a marcha do Brasil, ativar o seu desenvolvimento é imperativo da defesa de nossa própria sobrevivência”.