Patriota e guerreiro exemplar

Minas Gerais, assim como o Brasil, possui um celeiro de cidadãos de alto gabarito e estilo. Muitos são conhecidos em seu meio de trabalho, cidade, região, no estado, no país ou até no estrangeiro. Temos, portanto, personalidades que se destacam pela postura e pelo profissionalismo, assim como pelo patriotismo, mas geralmente são poucos conhecidos.

Recentemente, o estado perdeu o cidadão Adalberto Guimarães Menezes, nascido em 23 de maio de 1927 na fazenda Mandaçaia, no município de Luz. Faltou pouco para os 100 anos. Filho de Servito Menezes e de Maria Guimarães Macêdo. Neto do primeiro agente dos Correios do Aterrado de Nossa Senhora da Luz (1884), Sancho Medeiros de Menezes, e bisneto do farmacêutico Antônio Gomes de Macêdo, nome de uma das principais ruas daquela cidade.

Com um currículo extenso e espetacular foi professor em várias escolas particulares e no Colégio Militar de Recife, e presidente do Círculo Militar de MG; recebeu dezenas de condecorações, como a Grande Medalha da Inconfidência e a Medalha de Ouro Santos Dumont. Bacharelou-se em Matemática, foi engenheiro civil e coronel do exército, servindo notadamente no Rio Grande do Sul, em São Paulo, em Pernambuco, em Minas Gerais e em Brasília. Era o decano do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Cadeira n. 72, patrono Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e sócio honorário da Academia Luzense de Letras (ALL).

O que o concerne em primazia naquilo que promoveu por Minas e o Brasil, além de soldado e guerreiro exemplar, educação e gentileza, e de personalidade e caráter irreparável, foi o notável trabalho sobre o seu tetravô paterno, o Tiradentes. Menezes foi o idealizador para que se tornasse o histórico Parque Nacional de Ritápolis, onde está a Fazenda do Pombal, lugar de nascimento do Tiradentes, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para que lá se tornasse memorial e o lugar mais conhecido pelos patrícios. Foi um dos influenciadores para a criação da Medalha Cidadania e Liberdade, protagonizada pelo Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, do qual era associado, e da Academia de Letras São-Joanense, criada pelos municípios de São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis, sendo uma das comendas oficiais do estado. Outro trabalho de peso foi sobre o memorial dos Inconfidentes da praça da Estação, em BH. Uma pesquisa profunda realizada por historiadores do IHGMG, liderada por Menezes, mostrou que três nomes, o escravo Alexandre, Fernando José Ribeiro e José Martins Borges, grafados entre os 24 “heróis” do movimento separatista no belíssimo Monumento à Terra Mineira, inaugurado em 15 de julho de 1930, não fizeram parte dos inconfidentes.

Coronel Adalberto casou-se com a pernambucana Neide de Barros Corrêa Menezes (em memória) e tiveram três filhos: Maria Ângela (professora doutora; cientista da Comissão Nacional da Energia Nuclear), Ivo (em memória) e Adalberto Júnior (TRT/MG), e três netos. Escreveu inúmeros artigos em jornais e revistas sobre Tiradentes e outros temas importantes. Lançou o livro Coluna Prestes — Desmascarando um embuste. Excelente obra que deveria ser lida por todos, lançada em 2018, com apresentação de Ozório Couto e prefácio do desembargador Aluísio Quintão, presidente do IHGMG.

Nas exéquias no Cemitério da Colina, em BH, o acadêmico Iácones Batista Vargas pronunciou bela e emocionada fala; arrazoou em nome do IHGMG o presidente da Casa Antônio Marcos Nohmi, exaltando o grande mineiro. Homenagens comovedoras foram prestadas pelo Exército brasileiro.

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