Aos trancos e barrancos o Mundial de Futebol começou. A expectativa de ser o maior de todos a ser disputado, aos poucos vai se transformando na Copa da vergonha com muito mais agressões às relações humanas que a do Qatar, que foi realizada debaixo de denúncias de maus-tratos e até regime de escravidão dos trabalhadores.
Por determinação da Fifa e atendendo unicamente a interesses financeiros, resolveram abrir o leque de seleções definidas para o torneio que está sendo disputado em três sedes diferentes: Estados Unidos, México e Canadá. Se tivessem seguido à risca o regulamento de competições da Fifa, os Estados Unidos jamais poderiam sediar uma Copa, sequer participar dela pelo envolvimento em um conflito.
Durante anos, a Fifa, que já tem mais membros filiados do que a ONU, pregou a união dos povos na realização de suas competições. Hoje, os olhos, braços e pernas da entidade estão voltados apenas para o bolso, acendendo velas para Deus e o diabo.
O presidente da entidade, Gianni Infantino, virou um grande puxa saco de presidentes de nações em busca de apoio para suas realizações. Em plena crise do Oriente, quando os Estados Unidos bombardeavam Irã, resolveu premiar o laranjão Trump com um troféu da paz, um Nobel paralelo, um trambolho tipo peso de papel, em ouro que aparece sempre em fotos do governante. E os fatos vão surgindo. Os americanos, temendo represálias por tudo que estão fazendo pelo mundo, resolveram blindar o país e dificultar a entrada de turistas por segurança.
Proibiram a entrada de um juiz da Somália, Omar Abdulkadir, apontado hoje como um dos melhores do mundo, que apitou a final da Copa da África. Detiveram um atleta do Irã, por sete horas, para “averiguações”. Delegações estão sendo revistadas nas pistas dos aeroportos, agentes do ICE atuam em todos os estádios e o presidente da Fifa faz vista grossa. Com relação à participação do povo, os jogos no México estão com os preços dos ingressos nas alturas. Em meio a uma grave crise social, com greve de professores, que diferentemente das realizadas por aqui, lá mobilizam dezenas de milhares de profissionais.
Os mexicanos não estão conseguindo comprar ingressos que dobraram de preço nos últimos meses. Virou um esporte para a elite. As autoridades americanas estão muito preocupadas com a presença de Trump nos jogos. Ele esteve em uma partida de basquete recentemente e a recepção não foi nada amistosa. As coisas não estão muito boas para o seu lado. Ele não sabe se fica atento à participação da seleção de seu país ou se cuida de atacar o Irã, o estreito de Ormuz, atender aos telefones de Netanyahu ou aumentar as tarifas para o Brasil. Um dilema em tempos de Copa. Mas os americanos estão em festa. Não sabem se xingam, exploram, expulsam ou brigam com os turistas.
Se o time sair ainda na primeira fase, perderão o interesse nos jogos e voltarão à realidade de um país que aos poucos vai sentindo os efeitos de uma política internacional intervencionista. O mundo aproveita para conhecer mais um pouco do efeito Trump. E por aqui continuamos a pintar as ruas.
Pitaco 1: Mais Copa. Como diz meu amigo jornalista e escritor Carlos Lúcio Gontijo, o Brasil joga pelo seu sexto título. Se perder, fica seis Copas sem vencer. Ou seja, já é hexa.
Pitaco 2: Assistindo ao jogo da seleção feminina, cheguei à conclusão de que a Marta tem algumas coisas em comum com Neymar. Também foi convocada pela fama.
Pitaco 3: Quase esqueço… A imagem daquele bando de políticos com o Wood Zema, brindando com leite, é uma coisa horrorosa. É digna de entrar para os arquivos do FBI no Mississipi.
Pitaco 4: Nosso alcaide, Álvaro Damião, desistiu de fazer um curso nos Estados Unidos durante a Copa. Sentiu que o melhor era ficar e tentar cuidar da nossa cidade. Lá corria perigo de entrar em uma fria igual aconteceu em Israel e ter que sair às pressas pelo México.