Desafios

As eleições gerais se aproximam e novamente se repete a polarização de 4 anos atrás. O clima demonstra não uma disputa democrática, mas sim uma disputa de versões, de Tik Toks, de fake news e agressões. Passaram- -se quatro anos e o desafio permanece. Como conciliar um país gigantesco com realidades tão distintas e tão díspares?

Não viramos uma nova Venezuela, como alguns defensores do apocalipse pensavam, mas também não avançamos como podíamos ou deveríamos.

Os índices econômicos, justiça seja feita, mostram um desemprego relativamente baixo, um risco também reduzido, um dólar e a inflação sob controle. Porém, o custo fiscal explode, os juros ainda continuam estratosféricos e o futuro incerto.

Não é muita novidade para quem viveu períodos de inflação descontrolada, onde o planejamento era quase impossível e o remédio da correção monetária matava o paciente.

Vivi como prefeito de Belo Horizonte um período de altíssima inflação e como governador do Estado um período de adaptação a novos tempos que passaram a exigir aumento de produtividade e reorganização administrativa. O pós-Real trouxe a hora da verdade e os desafios econômicos mudaram. As privatizações e concessões modernizaram nossa comunicação, siderurgia e mineração, e trouxeram bilhões de investimentos estrangeiros no setor automobilístico.

Não se discutia ideologia de direita ou de esquerda. Discutia-se desenvolvimento. Em apenas 4 anos, recebemos em Minas Gerais seis presidentes ou chefes de Estado entre os quais o Imperador do Japão e os presidentes de Portugal e do Líbano. Qual foi o último dirigente internacional que veio a Minas nos últimos 11 anos?

O desafio permanece apesar do bom desempenho da atração de investimentos nos anos mais recentes. Minas Gerais necessita avançar e se impor nas discussões nacionais para exatamente fazer valer nossa tradição de serenidade e de entendimento.

Não é impossível conciliar liberdade econômica com benefícios sociais e presença do poder público. Os países europeus demonstram isso até hoje, mesmo enfrentando um acelerado crescimento das imigrações.

O acordo Mercosul e União Europeia finalmente está se iniciando e as perspectivas delineadas desde a histórica reunião de criação do Mercosul em Ouro Preto, em 1994, obviamente nos trazem esperanças assim como a reforma tributária. Ambas trazem também preocupações e dúvidas, mas sinalizam uma saída do imobilismo.

Resta outra enorme tempestade, a corrupção. Muitos estão ficando ao lado da estrada. Não se pode condenar todos a priori, mas temos insegurança e desrespeito inimagináveis.

Os desarranjos e até abusos entre os Três Poderes da República se multiplicam. A desconfiança traz um enorme custo financeiro e a burocracia fiscalizatória atrasa o inadiável avanço necessário na infraestrutura.

A História está repleta de exemplos de supostos salvadores da pátria, bastando lembrar de Jânio Quadros, e não podemos incorrer em novos erros que nos deixem atrás de antigos concorrentes como Coreia e Índia. Enfim, os desafios aí estão, reciclados, a inteligência artificial e as redes sociais com suas vantagens e desvantagens estão cada vez mais presentes e a segurança pública é um desafio assustador. O agronegócio e a descentralização populacional são grandes aliados.

Até mesmo por instinto de sobrevivência precisamos enfrentar os desafios com coragem, sem demagogia, sem oportunismo, com objetividade, verdade e conhecimento.

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