Cleitinho, o coringa

A consistência e solidez das pesquisas para o Governo de Minas que dão ao senador Cleitinho, desde que começaram a ser feitas liderança folgada, o fazem objeto do desejo de todas as correntes políticas que disputarão as próximas eleições. Sem adversários a ameaçar esta liderança, nas pesquisas, com intenções de votos acima dos 35% dos eleitores, permite que ele leve até o limite sua indefinição de qual cargo disputará. Se for disputar. Movimento interno do PL, com a candidatura a presidente de Flávio Bolsonaro a sofrer severa ameaça, tem no senador mineiro um possível reforço como candidato a vice-presidente. Afinal, um mineiro bem avaliado nas pesquisas como companheiro de chapa faz muito bem a qualquer candidato à Presidência da República.

Magalhães Pinto, memorável político do passado, dizia que a política é como as nuvens do céu: “você olha e estão de um jeito, olha de novo e já mudaram de posição”. Assim está nosso cenário político nacional e de Minas, a cada momento com novas negociações, acertos e desacertos, alianças e separações, trazendo ao eleitor incertezas de em quem votar. O fato é que perdemos, ao longo das últimas eleições, lideranças que guiavam e definiam posições, tornando as escolhas facilitadas com antecedência, pela força exercida pelos políticos de então. Não surgiram, nos últimos tempos, líderes que se destacassem e tivessem a confiança do eleitor. Recentes detentores do poder, eleitos em nome da mudança, trabalharam intensamente na destruição da imagem dos políticos e da política, desrespeitando a tradicional liturgia dos cargos e maculando, ainda mais, a imagem dos representantes do povo. Foram eficazes na destruição, porém, nada trouxeram.

Brevemente teremos as convenções partidárias, a serem realizadas no mês de junho, quando finalmente teremos as definições de quem e por qual partido serão decididas as candidaturas. Até lá, ficam os políticos, imprensa e eleitores, a simular acordos e definições que irão compor o quadro de candidatos e início das campanhas. Uma certeza já existe, o cenário é de declínio de lideranças, espaço aberto para aventureiros e descompromissados com a representação pública, ilegitimidade permitida a quem deseja entrar no cada dia mais infectado mundo da representação política.

A democracia, conquistada após a escuridão do golpe imposta pelos generais, ainda não encontrou solidez que permitisse o equilíbrio das instituições do Estado, maturidade na condução do processo eleitoral, segurança na representação partidária e certeza da sua legitimidade. Bons candidatos existem, cabe ao eleitor encontra-los neste deserto de ideias, honra e dignidade.

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