Inaugurado em 24 de agosto de 2001, o Instituto Cultural Amílcar Martins (ICAM) completou 25 anos, comemorados brilhantemente no dia 21 de setembro na Academia Mineira de Letras, com o lançamento do livro As joias da Coroa. Entidade sem fins lucrativos, o objetivo principal do ICAM é o estudo, a preservação e a divulgação da história e da cultura de Minas Gerais por meio de iniciativas como programas de fomento à produção de pesquisas, promoção de seminários sobre assuntos e autores mineiros, celebração de convênios com entidades públicas e organizações não governamentais, centro de referência bibliográfico e a integração de acervos sobre Minas.
A sede, à rua Ceará, 2037, bairro Funcionários, Belo Horizonte, de 500 metros quadrado, possui biblioteca com mais de 15 mil títulos, sala de obras raras, duas de consulta e uma outra para pesquisas. Conta com oficina de restauro e encadernação de livros, laboratório de digitalização de acervo, sala de triagem e processo de higienização e restauração, auditório multimídia para 40 pessoas, promove cursos de conservação e restauração de livros e documentos, e eventos como exposições de iconografia e obras sobre Minas.
O nome do Instituto homenageia o grande parasitologista e pesquisador mineiro Amílcar Vianna Martins (1907/1990), professor catedrático da UFMG, um grande nome renascentista de espírito público e de retidão que permeiam as tradições do estado; humanista de elevada cultura na botânica, na história, na música, na literatura, na zoologia. Médico sanitarista destacado e pesquisador, dedicou grande parte da sua vida ao estudo e ao combate a doenças parasitárias que assolam a população pobre do Brasil.
É de extrema importância o valor desses institutos, que prezam pela cultura e tradição de nosso povo. O ICAM é um exemplar centro de referência das tradições culturais mineiras, com acervo ímpar de obras raras. Para comemorar a data, o seu principal idealizador, o historiador e bibliógrafo Amílcar Martins Filho, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, brinda- -nos o As joias da Coroa, de sua autoria, em que nos mostra 25 títulos do riquíssimo acervo de obras raras, que só se encontram em poder de bibliotecas de Universidades, de grandes institutos afins e bibliógrafos de renome internacional. Exemplos de acervos incomuns foram o da biblioteca de José Mindlin, que hoje integra o acervo da Brasiliana. Em breve estará disponibilizada na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da Universidade de São Paulo (USP).
Enquanto o Brasil se desfacela e permanece cada vez mais pobre em educação, o ICAM, assim como outras entidades semelhantes, é guardião impecável na divulgação e na catalogação de obras que mostram a face de Minas Gerais e as maravilhas de nossas obras raras.
O livro As joias da Coroa, com 232 páginas, contempla-nos com 25 das 1807 obras raras do ICAM. Entre elas: Triunfo Eucharistico, de 1784, de Simão Ferreira Machado; Auro Throno Episcopal, de 1749, autor desconhecido; Obras de Claudio Manoel da Costa, de 1768; O Uraguay, de 1769, de Basílio da Gama, publicadas em Lisboa; A revolta de 1720 em Vila Rica, de 1898, de José Pedro Xavier da Veiga, publicada em Ouro Preto; e o incomparável Marilia de Dirceo, de Tomás Antônio Gonzaga, 1ª edição em Lisboa pela Oficina Nernesiana, em 1792. Gonzaga foi o poeta mais publicado e destacado da língua portuguesa depois de Camões. Raríssima, a edição de 1792 pode ser encontrada também nas Bibliotecas Nacionais de Portugal e da Espanha. Mindlin: “a primeira edição do poema é a mais rara e famosa obra portuguesa do século XVIII”. Pedro Corrêa do Lago: “Esta 1ª edição é a mais rara e a mais famosa de todas as obras setecentistas portuguesas”.
A saudosa embaixatriz Lúcia Flexa de Lima já esteve à frente do ICAM, e hoje é presidido com apurada dedicação por Letícia Martins Azeredo.