Nelson Rodrigues, o imortal escritor, autor teatral e jornalista, criador das colunas “À sombra das chuteiras imortais” e “A vida como ela é” publicadas no jornal “O Globo”, quando os jogadores brasileiros de futebol ainda sabiam de bola e a vida, no dia a dia, ainda tinha assuntos românticos, engraçados e corriqueiros, dizia que “O mundo será dominado pelos idiotas, não pela qualidade de suas ideias, mas pela quantidade deles sobre a terra”. Foi uma profecia reveladora, cuja dimensão não fomos capazes de avaliar, nem imaginar que seria tão devastadora. O fato é que os idiotas tomaram o poder do mundo, enraizaram-se na sociedade, dominaram as famílias, destruíram valores do passado, não colocaram nada no lugar, passaram a ter o protagonismo das ações do homem sobre a terra e nos conduzem a um novo mundo de aberrações. Não vou falar de Trump, Netanyahu, Putin, Maduro, Masoud Pezeshkian, Kim Jong-Un, mas dos cidadãos comuns.
Seis empresários do lazer e do entretenimento, da cidade de Limeira, São Paulo, vendiam a atividade chamada de rope jump, para praticantes, ou interessados, desta aventura de muita adrenalina e nenhuma responsabilidade. Seu local da prática deste desatino é uma ponte férrea desativada da RFFSA, com 40 metros de altura, com o sugestivo nome de “ponte do esqueleto”, sem nenhuma estrutura ou supervisão de quem quer que seja. Com uma clientela com mais de cem interessados semanais, a arriscarem a vida e sentir fortes emoções. Entre eles, a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, que no dia de sua experiência registrou nas redes sociais “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”. Foi sua última mensagem, antes da fatalidade e crime provocado pelos agentes da aventura. Três dos organizadores a carregaram nos ombros, até o local do salto, a lançaram no vazio para um voo, mas com um detalhe aterrador: esqueceram de colocar nela a corda de sustentação e segurança para o seu corpo. Seu voo, sem proteção e inevitável morte, só serve para aumentar e empobrecer as estatísticas dos banalizadores da vida. Gravações divulgadas nas redes sociais registram vozes gritando “A corda, gente, a corda…”. E lá foi Maria Eduarda lançada ao ar livre, pelos esquecidos autores de sua morte, a findar uma vida precocemente, por idiotas e incapazes de cumprir seus deveres essenciais. A delegada que os prendeu alega homicídio com dolo eventual, como se lançar alguém a uma altura daquelas fosse por uma “negligência” ou “esquecimento”.
Este é somente mais um exemplo da banalização da vida nestes tempos em que crianças são esquecidas dentro de carros, debaixo de forte calor, levando-as à morte, como aconteceu em Goiânia, São Bernardo do Campo, Santa Catarina e Mato Grosso. Criaram até o nome de “Síndrome do bebê esquecido”, para justificar tal loucura. Ou ainda, como o caso do menino Henry, cujo pai adotivo e assassino, ex-vereador do Rio de Janeiro, Dr. Jairinho, que foi agredido até a morte, com a omissão da mãe. Sem contar os feminicídios, tão em moda, cometidos pelos homens das cavernas da atualidade.