Arte e reflexão se encontram em exposição “Pausa para o devir”

Foto: Jackson Romanelli/Divulgação

Refletir e, ao mesmo tempo, explorar novos caminhos. Esse é o propósito da exposição “Pausa para o devir”, promovida pela Fundação Torino e pela Casa Fiat de Cultura, em cartaz até 7 de dezembro de 2025. Sob curadoria de Marconi Drummond, a mostra apresenta instalações de diferentes formas e materiais criadas pela artista visual, educadora e contadora de histórias Stela Barbieri, em diálogo com produções coletivas da comunidade escolar da Fundação Torino. A iniciativa proporciona uma experiência imersiva, na qual arte e educação se conectam por meio da coparticipação entre a artista, os alunos e o público.

Feitas com materiais como bambu, sementes e cabaças, as instalações convidam o público a entrar, permanecer e experimentar o ritmo da pausa, seja para descanso ou diálogo. Descrita por Stela Barbieri como uma “obra-oficina”, a exposição propõe ambientes de desaceleração que estimulam a imaginação, a atenção plena e a reflexão interior. “A exposição ‘Pausa para o devir’ é um convite para estar presente e religar o que já foi com o que está por vir, no balanço dos corpos entre a terra e o céu. Uma proposta de encontro consigo e o mundo, entre a arte e a educação”, reflete a artista.

Na galeria da Casa Fiat de Cultura, grandes casulos feitos de bambu e cabaças abrigam cadeiras de balanço que estimulam momentos de pausa. Integrando elementos táteis, sensoriais e sonoros, eles despertam a imaginação e a reflexão por meio de narrativas, músicas, histórias tradicionais e composições próprias, mescladas a sons da natureza, vozes e canções. Há também casulos que podem ser colocados sobre a cabeça, preparados com sementes e cascas, permitindo aos visitantes explorar novas sonoridades a partir de seus próprios movimentos.

No núcleo videográfico, os visitantes podem acompanhar o desenvolvimento das oficinas com estudantes de diferentes idades da Fundação Torino, que geraram desenhos, monotipias e objetos escultóricos. A exposição também funciona como uma obra-oficina: um espaço fértil que convida cada pessoa a criar. Entre as atividades participativas está o “Perguntatório”, uma instalação tipográfica na qual os visitantes podem enviar perguntas ao futuro. Outro recurso, em formato de lousa, estimula a criação de desenhos e narrativas sobre pausas e seus possíveis desdobramentos.

Para o curador da mostra, Marconi Drummond, “mais do que interrupção, a pausa aqui é potência: usina de experiências compartilhadas e exercício de imaginação em tempos de aceleração. Pausa como ‘direito ao sossego’, como nos lembra a artista Stela Barbieri”.

O título “Pausa para o devir” sintetiza a ideia central da exposição. A pausa é vista como um instante de atenção e respiro em meio à correria do dia a dia, enquanto o conceito de devir remete à mudança e ao fluxo constante. Entre esses dois princípios, a mostra propõe um espaço que convida o público a explorar novas maneiras de se relacionar com o tempo e com sua própria sensibilidade. O presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo, completa, “a exposição é, portanto, um convite a entrar nos casulos de imaginação que se abrem na Casa Fiat de Cultura, a experimentar outras formas de estar presente”.

“Pausa para o devir” marca os 50 anos da Fundação Torino. Além das obras de Stela Barbieri, a exposição valoriza a produção coletiva dos alunos, que contribuíram com criações gráficas, objetos e experimentações visuais. Essa participação evidencia a vocação da escola como espaço de criatividade e aprendizado constante, alinhando-se à proposta da mostra, que celebra a arte como uma prática colaborativa.

“Ao completar 50 anos, a Fundação Torino convida todos a fazer uma pausa, não como interrupção, mas como gesto de presença. A exposição Pausa, que trazemos para a cidade como presente coletivo, traduz com profundidade esse momento da nossa história: um tempo de escuta, contemplação e reinvenção. Celebramos meio século de tradição e inovação propondo uma reflexão sobre o tempo, sobre a beleza do agora e sobre os futuros que desejamos construir, com consciência, sensibilidade e esperança”, afirma Márcia Naves, diretora da Fundação Torino.

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