Arbitragem: profissionalização chega ao futebol brasileiro

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou um quadro de árbitros profissionais no futebol brasileiro em 2026, algo inédito na história da arbitragem no país. É um modelo inspirado nos exemplos europeus de profissionalização. Na Europa já existe um modelo consolidado de árbitros profissionais, com salário e carreira estruturada como qualquer outra profissão. A La Liga Espanhola, por exemplo, os árbitros têm salário mensal fixo e recebem por cada jogo apitado, além de adicionais por participação em competições europeias. Os valores lá são um dos maiores da Europa. A remuneração mensal pode ficar em torno de 12,5 mil euros, mais cerca de 4,2 mil euros por partida. A La Liga fez sua própria profissionalização completa: os árbitros não dependem de outro emprego e são dedicados exclusivamente à arbitragem.

No Brasil, a iniciativa formaliza contratos com árbitros e assistentes, com remuneração fixa, bônus e apoio técnico. O objetivo é tirar os árbitros da informalidade e dar mais estabilidade e preparo profissional à categoria.

Inicialmente, foram selecionados 72 profissionais, sendo 20 árbitros centrais, 40 assistentes e 12 árbitros especializados em VAR. Estes nomes foram escolhidos com base em critérios como quadro da Fifa, avaliações técnicas e escalas recentes no Campeonato Brasileiro da Série A.

Esse programa de profissionalização entra em vigor a partir de 1º de março de 2026. O contrato de pessoa jurídica com remuneração mensal fixa, mais valores por jogo e bonificações por desempenho. Os vínculos serão anuais, com possibilidade de renovação conforme desempenho e avaliações. Não haverá obrigatoriedade de dedicação exclusiva por lei (contrato PJ), mas a arbitragem deve ser prioridade dos profissionais.

O projeto inclui treinamentos técnicos, avaliações físicas, acompanhamento de saúde, capacitação contínua e uso de tecnologias como smartwatches e métodos de análise. Estima-se que o investimento total previsto da CBF para esse projeto de profissionalização no biênio 2026-2027 é em torno de R$ 195 milhões.

As remunerações variam por função e os árbitros principais podem receber acima de R$ 30 mil mensais, enquanto a média inicial gira em torno de R$ 13 mil para o grupo. Haverá avaliações periódicas e possibilidade de rebaixamento ou substituição dentro do quadro profissional. A ideia é que o modelo sirva de base para outras divisões no futuro.

O Brasil está dando o primeiro passo para ter árbitros profissionais estáveis, mas ainda não é uma profissionalização plena como ocorre em ligas europeias mais estruturadas. De qualquer forma, a iniciativa é de grande importância para melhorar a qualidade de performance dos árbitros brasileiros. É o início de um processo de médio e longo prazo, portanto, será necessário ter paciência para que os resultados apareçam na prática. O certo é que o futebol brasileiro vai ganhar muito com essa profissionalização. Antes tarde do que mais tarde!

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