
O estudo Atlas revelou que a arbitragem do Brasileirão 2025 enfrenta rejeição de 65% entre os brasileiros. Entre eles, 46% declararam estar muito insatisfeitos, enquanto 19% afirmaram estar apenas insatisfeitos. O levantamento aponta ainda que metade dos entrevistados considera os árbitros nada confiáveis, indicando falta de credibilidade em suas decisões.
O tema, que há tempos provoca polêmicas no futebol nacional, tem gerado intensos debates nos bastidores da principal competição do país. Apenas 8% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com a arbitragem, enquanto 2% afirmaram estar muito satisfeitos. Outros 26% se mantiveram neutros em relação à atuação dos juízes em campo.
A pesquisa revelou que o principal problema apontado na arbitragem é a aplicação desigual de critérios em lances semelhantes, citado por 51% dos entrevistados. Em seguida, 50% indicaram o “possível favorecimento a determinados clubes” como ponto crítico. Outros problemas destacados incluem a “falta de preparo técnico” dos árbitros (34%), a “falta de transparência nas decisões” (32%) e uma “suposta influência de empresas de apostas” (16%). Nesta pergunta, os participantes podiam selecionar até três alternativas.
Quanto ao VAR, 51% acreditam que ele “melhorou um pouco” a qualidade das decisões. Mesmo assim, 53% consideram que a arbitragem brasileira teve desempenho inferior em relação ao ano passado. Entre os árbitros mais rejeitados, estão Ramon Abatti Abel (38%), Wilton Pereira Sampaio (27%) e Anderson Daronco (25%). Curiosamente, Daronco também figura entre os mais bem avaliados, com 31% de imagem positiva. Edina Alves Batista e Raphael Claus, com 25% cada, completam o top 3 entre os árbitros mais valorizados pelo público.
A pesquisa também perguntou aos participantes quais clubes seriam mais beneficiados pela arbitragem. O Palmeiras lidera a lista, apontado por 72% como o mais favorecido, seguido de perto pelo Flamengo, escolhido por 70%, coincidindo com a posição de líder e vice-líder do Brasileirão, respectivamente.
“Nós não apenas percebemos erros, mas também enxergamos padrões inconsistentes. Quando lances semelhantes são julgados de maneiras diferentes ao longo do campeonato, a confiança na arbitragem cai imediatamente. Essa desigualdade de critérios é o que mais gera insatisfação, porque o público espera justiça e consistência em todas as partidas”, explica o torcedor do Atlético MG, Fernando Ribeiro.
Diante desse cenário, o antropólogo do esporte Rafael Muniz sugere medidas para aumentar a confiança do público e garantir maior transparência nas decisões. “A única forma de conquistar 100% de honestidade e credibilidade é implementar mecanismos claros de fiscalização e responsabilização, como auditorias independentes, monitoramento constante das partidas e relatórios públicos sobre o desempenho de cada árbitro. A combinação de tecnologia e transparência é essencial para recuperar a confiança do torcedor”.
A capacitação técnica também é crucial. “O árbitro precisa estar preparado não apenas fisicamente, mas também psicologicamente e taticamente. Treinamentos frequentes, simulações de lances complexos e uma preparação contínua para lidar com a pressão de jogos de alta visibilidade ajudam a reduzir erros e criar padrões de julgamento consistentes. Quando o público percebe que existe um esforço real de profissionalização, a credibilidade aumenta naturalmente”, ressalta Ribeiro.
Ele sugere que a participação de órgãos independentes e a padronização de protocolos sejam reforçadas. “O futebol brasileiro precisa de um sistema de integridade que funcione como um check and balance. Cada lance questionável deve ser revisado, e qualquer falha grave precisa ser punida de maneira objetiva e transparente. Isso garante que a arbitragem não seja apenas eficiente, mas também percebida como justa pelos torcedores”, conclui.



