Aprendizado digital para idosos

Nos anos 1970, quando iniciei o aprendizado da computação, as perspectivas de introdução das novas tecnologias digitais eram muito incertas e até improváveis. Não existiam cursos nas faculdades e as grandes empresas como IBM e Burroughs tinham seus centros educacionais próprios. Com uma rapidez incrível, o crescimento aconteceu em escala geométrica. O que era exclusivo e limitado ao meio acadêmico e aos escritórios de contabilidade foi se expandindo até atingir praticamente todas as atividades econômicas do mundo atual.

As palestras buscavam mostrar o que era a nova ciência de processamento de dados, de informática, de computação, de tecnologia e enfim demonstrávamos as potencialidades de crescimento de novas carreiras profissionais com suas modificações no perfil dos profissionais, com a melhoria nos procedimentos administrativos, com a rapidez nas demonstrações contábeis, com a segurança das informações, com o cruzamento de informações para combater a corrupção, com a modernidade.

Atividades e profissões surgiram e desapareceram em curto espaço de tempo, como ocorreu com os digitadores, datilógrafos, taquígrafos, operadores de telefonia e telex para ficar em alguns exemplos. O primeiro emprego que surgiu com a digitalização de dados passou para os “call centers” de atendimento telefônico e gravações.

Chegamos a uma digitalização excessiva?

Caixas automáticas, códigos de barras, QR Codes, senhas eletrônicas, leitores biométricos, tudo foi sendo introduzido sem uma educação abrangente e diversa. Algumas regras e dispositivos foram incluídos no nosso dia a dia com uma assimilação rápida pelas novas gerações, mas e os idosos? Como atendê-los? E como enfrentar as fraudes em ambientes onde as pessoas de mais idade são as mais visadas e atingidas?

Surge então uma nova profissão que exige antes de tudo muita paciência: os técnicos de computação, de telefones celulares e de meras atividades informatizadas voltados para a chamada terceira idade. Muitas destas “modernidades” desempregaram atendentes e dificultaram a assimilação pela parte da população que vai sendo superada pelas “novidades”.

Ficou famosa a publicidade na qual os pais ou avós pedem socorro aos filhos e netos para fazerem uma atividade para a qual não foram preparados. A quantidade de informações e dados e sua velocidade de transmissão são fantásticas, porém, “devagar com o andor que o santo é de barro”. O “gap” tecnológico pode ou já está aumentando desigualdades sociais e econômicas. A inteligência artificial é outro fenômeno que surpreende e até confunde.

Até nós, os dinossauros dos computadores de grande porte, dos cartões perfurados e dos relatórios em formulário contínuo, por vezes nos sentimos meio perdidos sem conseguir acompanhar as exigências de novas expressões, de menus, de versões de software e hardware. Daí a importância da nova profissão: técnicos especializados no atendimento digital para pessoas com mais de 60 anos. E viva os novos tempos!

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