Apesar de um certo nervosismo de véspera, no prazo final para mudança de partido político, de acordo com critérios da Justiça eleitoral, nenhum parlamentar com mandato em Minas ficou de fora das agremiações partidárias. Como se sabe, o dono do Partido Avante, deputado Luís Tibé, expulsou quatro companheiros de sigla para ser o único beneficiado com a votação da legenda.
E não foi apenas Luís Tibé que agiu dessa maneira. O dono de outra sigla partidária, deputado Fred Costa (PRD), não aceitou a chegada de parlamentares considerados bons de votos. Assim, na disputa à Câmara Federal, Fred reinará no topo do partido, com a possibilidade de algumas candidaturas de baixo resultado nas urnas. Isso pode garantir mais uma reeleição dele ao Congresso Nacional.
Dança das cadeiras
Presidido pelo deputado Newton Cardoso Júnior, o MDB, que registrou a saída do líder do Governo na Assembleia, João Magalhães, para o PSD, recebeu a inscrição do parlamentar estadual Arlen Santiago, que no último pleito chegou à marca de 107.236 votos. Nos meandros da ALMG comenta-se que o MDB é um dos poucos partidos políticos com representação em grande parte dos municípios mineiros, inclusive com eleição de vários prefeitos e vereadores.
Outro tema dominante no ambiente político se refere à filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSB, o mesmo partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Os socialistas terminaram conquistando muitas novas fichas de filiação, inclusive do ex-procurador-geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares, e o ex-presidente da Assembleia, Romeu Queiroz. Este último, segundo amigos, analisa a possibilidade de voltar à vida pública. Indagado a respeito do motivo de optar pelo PSB, Romeu vaticinou. “Estou voltando para o mesmo partido no qual fui filiado há décadas passadas”.
Candidaturas ao Senado
A imprensa de Minas Gerais abriu longo espaço para noticiar o arranjo político comandado pelo deputado Domingos Sávio. Ao fazer as pazes com o grupo político do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), uniu forças no Oeste mineiro e deu visibilidade a sua pré-candidatura ao Senado. Pessoas próximas entendem que por estar filiado ao Partido Liberal, mesma sigla de Flávio Bolsonaro, o projeto de Sávio pode conquistar muitos votos.
Ao chegar ao PSD, o senador Carlos Viana, segundo a lenda, foi abraçado pelo grupo político do governador Mateus Simões (PSD). Seu projeto de buscar a reeleição à Casa Alta do Senado parece ter conquistado alguns pontos na popularidade junto aos eleitores. O problema está no afastamento do chefe do Executivo de outro pretendente à vaga majoritária, o ex-secretário de Governo, Marcelo Aro (PP).
Sobre a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), na busca por uma das duas vagas ao Senado, tudo vai depender de um projeto maior, perpassando pela disputa ao Governo do Estado. Por exemplo, caso seja confirmada a candidatura de Rodrigo Pacheco ao Palácio Tiradentes, a proposta de Marília pode se erguer. Caso contrário, segundo matemáticos da política mineira, seria pregar no deserto.
Com essas definições das filiações partidárias, o fato é que o jogo visando conquistar espaços no Parlamento, no Palácio Tiradentes e no Congresso Nacional, começa a ser jogado a partir deste mês de abril.