
Os dados mais recentes mostram que a apicultura em Minas Gerais está crescendo, 1.085 novos cadastros foram realizados no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), 34% a mais que no último levantamento. Nas comunidades rurais do município de Couto de Magalhães de Minas e região não é diferente, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Associação dos Apicultores de Couto de Magalhães de Minas (Apicouto), estão realizando o projeto “Produção de mel e própolis verde no Alto Jequitinhonha”.
Atualmente, a atividade beneficia cerca de 100 apicultores. Os produtores enfrentavam falta de recursos financeiros para a aquisição de equipamentos e dificuldade para encontrar preço justo na comercialização, e com o objetivo de contornar esses problemas e gerar emprego e renda, em 2015, começaram os trabalhos de assistência. A Emater-MG trabalha na promoção da sustentabilidade, manejo orgânico, preservação da mata nativa, diversificação das floradas e assistência personalizada.
Já a Apicouto é responsável pelo beneficiamento e comercialização de mel e própolis de 20 associados. O presidente da associação, André Marcos da Silva, que está na atividade há mais de 10 anos, relata que a experiência tem dado bons resultados tanto para ele quanto para a Apicouto. “Trouxe valorização para nossos produtos e ampliou mercado com as vendas para feiras do município e região. No total, são mais de 400 colmeias de abelha africanizada e a intenção é continuar melhorando cada vez mais a produção”.
De acordo com o secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Assis Antônio Vieira, o trabalho consolida o setor apícola, carro-chefe na geração de emprego e renda da cidade. “As parcerias estimulam os pequenos produtores e a economia local. Isso nos traz apoio e segurança para a execução de um projeto de sucesso, onde o nosso objetivo é o fortalecimento de agricultores familiares”.
A produção
O extensionista da Emater-MG, José Dilson Pereira Coelho, explica que a produção começou há cerca de 15 anos, como alternativa a mineração e a monocultura do eucalipto. “Além do mel, recentemente, também estamos nos especializando em própolis, em especial o verde, que é feito de alecrim e é bem abundante na região. O diferencial é que são produtos 100% naturais, pois são produzidos através da vegetação local, o Cerrado”.
O programa compreende as cidades de Diamantina, Felício dos Santos, São Gonçalo do Rio Preto, Senador Modestino, Gouveia, Prados, Itamarandiba, Carbonita, além de Couto de Magalhães de Minas. Segundo Coelho, a produção de mel chega a 1.500 kg por ano e a de própolis alcança 350 kg. Já a renda é de R$ 250 mil por ano para o mel e, aproximadamente, R$ 150 mil para a própolis.
A Emater-MG apoia os produtores em todos os segmentos, da captura até a comercialização, ressalta o extensionista. “Nós fazemos reuniões periodicamente para capacitação. A produção de mel se profissionalizou tem nove anos, e os produtos ficam na região, por enquanto, por causa do selo de comercialização. O conhecimento ainda é uma barreira para conseguir desbravar a burocracia”.
Além do desafio do conhecimento, o período de seca, de julho até setembro, é o principal obstáculo para manter a atividade, junto às queimadas. “Nessa época, temos que alimentar as abelhas, vigiar as colmeias para protegê-las do fogo, e sempre visitar esses locais. Inclusive teve uma temporada de queimada que prejudicou bastante a atividade, alguns produtores até pensaram em desistir”.
Coelho pontua ainda que para expandir para outros locais o projeto precisa se estruturar primeiro. “Precisamos fortalecer o programa, pois cada município do Jequitinhonha tem um foco. O diferencial do Alto Jequitinhonha, especificamente em Couto de Magalhães de Minas, é que temos um grupo já formado. Diferente das demais cidades, que podemos encontrar apicultores, mas que ainda não conseguem trabalhar em cadeia produtiva”.



