O que antes era apenas uma hipótese, agora ganhou contorno oficial, diante da confirmação do próprio presidente do PSD nacional, Gilberto Kassab, a respeito da filiação do vice-governador Mateus Simões à sigla pessedista.Portanto, abre-se as cortinas para um horizonte límpido rumo à sucessão ao Governo do Estado, em 2026. Essa decisão de ambos faz com que o já minúsculo Partido Novo, ao qual Simões sempre foi filiado, se torne efetivamente “nanico”, para desespero de alguns nomes que ainda permanecerão ligados a ele, inclusive o governador Romeu Zema.
Esse grupo político que comanda o Palácio Tiradentes pode ser traduzido como uma situação anômala. Ao aceitar colocar o seu nome para pleitear a eleição, em 2018, Zema dizia que não almejava um resultado positivo em sua empreitada. À época, o seu projeto era ajudar a sigla, incrementando a votação de deputados estaduais e federais, para dar visibilidade ao Partido Novo, tido como um autêntico ninho de políticos com viés ideológico da direita.
É sempre bom rememorar que Zema obteve êxito graças à popularidade de Jair Bolsonaro. Uma vez no poder, mudou de posição e disse que se sentia confortável no cargo, difundindo que era hora de um empresário de sucesso comandar os destinos do Estado. Em sua reeleição, galgou uma posição frágil, cujo concorrente principal era o ex-prefeito Alexandre Kalil.
Ao longo desses anos no comando do Executivo mineiro, o governador sempre atuou em consonância com os poderosos. Em todas as ocasiões, fazia questão de deixar claro a sua proximidade com o setor produtivo, mas pouco se dedicou a implementar grandes projetos sociais, especialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O pleito de 2026 ocorrerá daqui a um ano e a hegemonia zemista será colocada em xeque. Não precisa ser experiente para saber que a saída de Simões do Novo é uma prova cabal da falta de expectativa de um resultado prático no embate eleitoral. O governador vai precisar amainar a sua narrativa de empreendedor de sucesso para fazer política com “P maiúsculo”.
Zema terá de se embrenhar em temas do interesse social da população, e não apenas ficar se gabando de ser um exímio “lavador de louças” e comer banana com casca. A sua imagem de cidadão do interior sequer serviu para alavancar a suas chances de se tornar presidente da República. Se quiser contribuir para o êxito do projeto de seu afilhado Mateus Simões, terá de abdicar de sua pretensão política nacional. Caso contrário, pode levar o vice-governador rumo à incerteza



