Um dos assuntos dominantes da mídia nos últimos dias é o escândalo do Banco Master, que além de ser um dos maiores meios econômicos mundiais, começa a mostrar o aproveitamento de segmentos da religião evangélica e o envolvimento de autoridades dos poderes da República. O envolvimento não é somente em benefícios financeiros como propinas, existem também informações de “verdadeiras surubas” em paraísos naturais brasileiros e em algumas capitais europeias. Tudo ainda na base da especulação, trancada por sete chaves, inclusive o ator principal, o tal Daniel Vorcaro que, milagrosamente, ficou bilionário da noite para o dia. Ele caiu porque tem a “goela larga” e ostentava que o dinheiro era capaz de tudo.
Tinha aos seus pés mulheres, juízes, promotores, políticos, policiais e pastores, alguns pregadores de renome entre os seguidores. Não cansava de oferecer festas e não tinha limites. Nova York, Lisboa, Paris, Roma, Budapeste e até na Lua. Todo lugar era assim, com mulheres e muita farra. Assim como Pedro, da Bíblia, negaram ele por três, sete ou até dez vezes. Ninguém quer ouvir falar no nome, mas a sua desgraça atinge muitos outros. Seu silêncio também é uma ameaça.
Desde que Daniel Vorcaro foi preso, nomes de grande força entre evangélicos desapareceram do mapa. Parece que tiraram um tempo para reflexão. Malafaia, Edir Macedo, Valdemiro Santiago estão mudos. Sempre viveram da fé, no pior sentido da palavra, pois para eles ela é um ofício que rende muito. Sempre associaram a pregação, direta e exclusivamente, à conquista da riqueza material e sucesso social.
Para esses senhores, a crença e o dízimo de seus fiéis são os suportes para uma vida de regalias e luxo. Passam férias em locais exóticos e investem em paraísos fiscais. O problema é que esses pastores ajudaram a construir o império financeiro de Vorcaro, investindo o dinheiro das igrejas, que não foi pouco, em uma pirâmide financeira escandalosa. À medida que os fatos são elucidados, vão aparecendo os aproveitadores.
Todos os envolvidos usaram o dinheiro da fé. Compraram casas, carros, viajaram, investiram em luxúria. O processo segue e a cada dia surge um fato novo. Tudo que acontecia foi gravado em celulares. Uma prova viva que o senhor Vorcaro tinha e tem. Ele sabia que quando a farra acabasse muita gente estaria em suas mãos.
Hoje, mesmo algemado, ainda tem muitos à sua disposição e o medo passa a perseguir a todos. Todo mundo deve explicação, mas sempre têm uma desculpa esfarrapada. Outra investigação está em curso sobre as emendas milionárias que deputados enviaram para as igrejas. E não foi pouca coisa. Alguns dos investigados explicam que suas igrejas, bases eleitorais, utilizam o dinheiro em projetos sociais. Mesmo assim, ainda condenam as ações do Padre Júlio Lancelotti que oferece comida a quem tem fome, literalmente falando, não só da palavra “do senhor”.
A Igreja Batista da Lagoinha, envolta ao escândalo do Banco Master, já teve seus dias de seriedade, mas quando passou a mostrar seu sucesso financeiro, perdeu seu fundador e passou a ser administrada pelos filhos, a coisa desandou. Das instalações simples do Cine São Cristóvão foram para o templo na Avenida Antônio Carlos e começaram a comprar tudo em seu entorno. Virou uma “fintech”. Só investimento! Pastores começaram a mostrar seus relógios, carrões e aviões. A prova do sucesso. E os fiéis? Bom, os fiéis continuam achando que Israel gosta de Jesus e que a culpa de tudo é do Lula. Cruz credo!
Pitaco 1: O escândalo do Master está apenas no começo. Daqui a pouco começarão a investigar os escritórios dos filhos dos ministros que trabalharam para Vorcaro. E olha que teve muito dinheiro, aliás, isso não era problema. Não era dele mesmo.
Pitaco 2: Povo da Venezuela foi às ruas comemorar o título mundial do Beisebol. A seleção ganhou dos Estados Unidos. Realmente, Trump não está nos melhores dias.
Pitaco 3: A sociedade civil em Belo Horizonte se mobiliza para recuperar a sede da Associação Mineira de Imprensa (AMI). O movimento é coordenado por jornalistas que querem resgatar o histórico prédio da Rua da Bahia. Existe uma ação judicial em curso e para que ela seja bem-sucedida, jornalistas contam com o apoio de todos. Assine a petição em favor da AMI.