
De acordo com o Boletim Epidemiológico da Tuberculose de 2025, o número de novos diagnósticos permanece em torno de 84 mil casos. Apesar de uma leve redução entre 2023 (84.994 casos) e 2024 (84.308 casos), observa-se uma tendência de aumento desde 2020, quando foram notificados 69.681 casos. Apesar dos esforços de vigilância e tratamento gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a doença segue em níveis considerados altos, e novembro é o mês de conscientização devido ao Dia Nacional de Combate à Tuberculose, celebrado em 17 de novembro.
A tuberculose é uma doença que afeta principalmente os pulmões, mas também pode atingir outros órgãos, como rins, ossos e o sistema nervoso central. “A transmissão ocorre quando uma pessoa doente tosse, fala ou espirra, liberando pequenas gotículas que contêm a bactéria. Essas partículas podem permanecer suspensas no ar por várias horas, especialmente em ambientes fechados e mal ventilados”, explica a infectologista Mariana Couto.
Os sintomas, em geral, são sutis no início, o que dificulta o diagnóstico precoce. Tosse persistente por mais de três semanas, febre baixa, sudorese noturna, perda de peso e cansaço constante são sinais de alerta. “Muitas pessoas confundem os primeiros sintomas com uma gripe prolongada ou uma bronquite simples, o que atrasa a procura por atendimento médico. Quando o diagnóstico é tardio, o risco de transmissão aumenta significativamente”, acrescenta.
O diagnóstico da tuberculose é feito por meio de exames clínicos, radiografia de tórax e testes laboratoriais. O pneumologista Ricardo Avelar explica que o principal exame é o baciloscópico, que detecta a presença da bactéria no escarro do paciente. “Nos últimos anos, o Brasil ampliou o uso de testes rápidos, como o GeneXpert, que identifica o DNA do Mycobacterium tuberculosis e ainda verifica se há resistência aos antibióticos de primeira linha. Esse é um avanço importante, mas ainda há desigualdade no acesso a esses testes em muitas regiões do país”.
Apesar da disponibilidade do tratamento, o combate à tuberculose no Brasil enfrenta obstáculos complexos. Fatores como pobreza, más condições de moradia, desnutrição e acesso precário aos serviços de saúde criam um ambiente propício para a disseminação da doença. “A tuberculose não é apenas uma questão médica, mas também um problema social. Onde há desigualdade, há mais casos e é preciso olhar para a doença de forma integrada, com políticas que vão além da saúde”.
De acordo com Mariana, o governo precisa reforçar a vigilância epidemiológica e melhorar a detecção precoce dos casos. “O Brasil tem capacidade técnica e rede de laboratórios, mas carece de mais investimentos em capacitação profissional e tecnologia. Além disso, campanhas de conscientização são essenciais para combater o estigma que ainda cerca a doença”.
Prevenção
A prevenção da tuberculose envolve ações que vão desde a vacinação até a melhoria das condições de vida. A vacina BCG, aplicada ainda na infância, é eficaz na proteção contra as formas mais graves da doença, embora não impeça a infecção pulmonar em adultos. “A imunização é um passo fundamental, mas sozinha não resolve o problema. Precisamos também garantir moradias ventiladas, reduzir a superlotação em presídios e abrigos, e intensificar a busca ativa por casos em comunidades vulneráveis”, explica a médica.
O Brasil tem ampliado significativamente suas ações para erradicar a tuberculose como problema de saúde pública, priorizando estratégias de prevenção e a adoção de práticas inovadoras de cuidado. Em 2024, observou-se um aumento de 30% no número de tratamentos preventivos em relação a 2023, resultado da expansão do uso de terapias medicamentosas de curta duração (com três meses de tratamento) que já correspondem a 72% do total, segundo o Boletim Epidemiológico da Tuberculose 2025.
“A luta contra a tuberculose é, portanto, mais do que uma questão médica: é um compromisso com a equidade e a dignidade humana. Reduzir o número de casos no Brasil requer investimento, conscientização e vontade política”, conclui Avelar.



