
Segundo dados do site businessofapps.com, 345 milhões de pessoas utilizaram aplicativos de fitness em 2024, um crescimento de 11,1% em relação a 2023. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, lançado recentemente pela Federação Mundial da Obesidade, 68% da população brasileira apresenta excesso de peso, sendo que 31% vivem com obesidade e 37% com sobrepeso.
Ao mesmo tempo, apenas 8% das pessoas costumam consultar um profissional de saúde antes de começar um regime. Conforme um estudo recente do Instituto Real Time Big Data, 65% das pessoas não alcançaram seus objetivos com a dieta.
Esse é o caso da comerciante Isabela Duarte Araújo, que sempre iniciava e desistia de dietas, porém, desta vez, ela usou a tecnologia como aliada, o app de nutrição, com um plano alimentar estruturado por uma nutricionista. “Eliminei 19 quilos, e não sinto que estou de dieta. Isso fez toda a diferença para conseguir manter o peso. O app me mostra como compensar na alimentação ao longo do dia ou até no dia seguinte. Isso facilita na decisão de continuar firme no meu objetivo de emagrecer”, relata.
O aplicativo
O dispositivo utiliza inteligência artificial para adaptar o cardápio prescrito pelo nutricionista à rotina do paciente. Caso o alimento indicado não esteja disponível em casa, ou uma pessoa queira substituí-lo por outra, basta registrar no app. O aplicativo também avalia e classifica os alimentos industrializados, ajudando os usuários a escolher as opções mais saudáveis no mercado, além de permitir que um nutricionista visualize o consumo dos pacientes em tempo real, para fazer ajustes e direcionar melhor o plano alimentar.
A médica pós-graduada em Endocrinologia, Metabologia e Nutrologia, Eliana Teixeira, afirma que esses aplicativos podem ser grandes aliados na adoção de hábitos saudáveis quando usados de forma consciente e orientada. “Eles aumentam a percepção sobre o próprio comportamento, ajudam o usuário a visualizar o quanto está comendo, se está dormindo pouco, se está se movimentando o suficiente, e isso é um ponto de partida importante para mudanças sustentáveis”.
“No entanto, o app deve ser entendido como uma ferramenta de apoio, e não como o substituto de uma avaliação clínica individualizada. A tecnologia é útil quando desperta consciência e disciplina, mas a personalização do plano alimentar e de treino é o que realmente garante resultados com segurança”, alerta.
Cuidados
A médica destaca que o principal risco é a generalização. “Um mesmo plano não serve para todos, e seguir dietas ou treinos genéricos pode causar desequilíbrios hormonais, perda de massa magra, deficiências nutricionais e até sobrecarga cardíaca ou articular”.
Muitos desses aplicativos não consideram histórico clínico, exames laboratoriais, uso de medicamentos, distúrbios hormonais ou digestivos, e acabam estimulando restrições desnecessárias ou exageros, pontua Eliana. “Além disso, quando o usuário não alcança os resultados prometidos, há frustração, compulsão alimentar e até abandono completo dos hábitos saudáveis. Por isso, o acompanhamento profissional, médico e nutricional, é fundamental para ajustar as metas e garantir a segurança do processo”.
“A busca constante por metas numéricas – calorias, passos, peso ou percentual de gordura – pode gerar ansiedade, culpa e comportamentos obsessivos. O que deveria ser um instrumento de autocuidado pode se transformar em um mecanismo de punição. Quando o controle passa a ser mais importante do que o bem- -estar, há risco de transtornos como ortorexia, compulsão alimentar ou distúrbios de imagem. Por isso, o equilíbrio é a chave. O app deve servir à saúde, e não o contrário”, acrescenta.
Eliana ressalta que um bom aplicativo estimula a constância, o prazer em se movimentar e o respeito ao corpo. “Não impõe restrições extremas, metas de emagrecimento muito rápidas ou treinos exaustivos. Desconfie de qualquer promessa de ‘transformação em 30 dias’ ou ‘dietas milagrosas’. Aplicativos sérios prezam pela educação alimentar, orientam sobre descanso, hidratação e autocuidado, e valorizam a evolução progressiva. Quando há foco apenas na estética, sem considerar saúde metabólica e emocional, o caminho tende a ser perigoso e insustentável”, finaliza.



