32 novos radares de velocidade entraram em operação na capital

Foto: Divulgação/PBH

Com a entrada em funcionamento de 32 novos radares na semana passada, Belo Horizonte passou a contar com 146 equipamentos de monitoramento eletrônico ativos em 2026. Isso significa que, em média, a prefeitura colocou em operação cerca de 2,5 dispositivos por dia este ano. A maioria dos aparelhos instalados substitui antigos equipamentos, cujos contratos expiraram recentemente. Ainda assim, alguns locais passam a contar com fiscalização eletrônica pela primeira vez.

Desde o fim de fevereiro, a Prefeitura de Belo Horizonte deixou de informar individualmente a data de início de funcionamento de cada novo radar. A administração municipal passou a reunir todos os equipamentos em uma planilha única. Antes, os dispositivos recém-instalados eram divulgados em uma página específica destinada a esse fim.

Os últimos conjuntos de radares ativados neste ano haviam sido anunciados no encerramento de janeiro e também no fim de fevereiro. Já em março, a comunicação ocorreu logo no terceiro dia do mês. Embora a relação oficial aponte 146 aparelhos, esse número não corresponde, necessariamente, a 146 locais distintos de fiscalização. Isso porque há casos em que mais de um equipamento está instalado no mesmo endereço, sendo contabilizados separadamente conforme a faixa monitorada.

Em alguns trechos do Anel Rodoviário, por exemplo, existem vários radares em um único ponto para acompanhar diferentes faixas ou sentidos de tráfego. Na prática, portanto, o total de dispositivos em operação pode não coincidir com a quantidade de pontos diferentes onde os condutores notarão a presença da fiscalização eletrônica.

Segundo o engenheiro de trânsito, Marcos Albuquerque, os radares desempenham um papel fundamental na redução de acidentes e na conscientização dos motoristas sobre os limites de velocidade. “A instalação de radares não deve ser vista apenas como um instrumento de arrecadação de multas, mas como uma ferramenta preventiva. Quando bem posicionados, esses dispositivos ajudam a disciplinar o tráfego, evitam ultrapassagens perigosas e diminuem o número de acidentes graves em corredores críticos da cidade”.

Além de contribuir para a segurança, os radares também têm potencial para melhorar a mobilidade urbana. “A fiscalização eletrônica cria um efeito de moderação de velocidade, o que ajuda a reduzir o congestionamento e permite que os veículos circulem de forma mais uniforme, diminuindo o risco de acidentes por freadas bruscas ou mudanças de faixa repentinas”. Ainda conforme Albuquerque, o planejamento da instalação dos radares deve considerar não apenas o volume de tráfego, mas também o histórico de acidentes e os pontos de maior risco, o que garante que o investimento seja direcionado de forma estratégica.

Já o especialista em segurança viária, Roberto Lima, aponta que a simples presença de radares não garante uma redução significativa nos acidentes ou na velocidade média do tráfego. É necessário que haja educação para o trânsito, fiscalização complementar e planejamento urbano adequado. “Os radares funcionam como uma ferramenta de apoio, não como solução isolada. Eles são mais eficazes quando combinados com medidas como lombadas eletrônicas, campanhas de conscientização e fiscalização móvel em trechos estratégicos”.

A percepção dos motoristas em relação aos radares também é um ponto importante. Muitos condutores reconhecem a importância dos equipamentos, mas ainda veem a fiscalização como punitiva. “É natural que haja resistência no início, mas com o tempo, percebe-se que os radares contribuem para um trânsito mais seguro e previsível. O desafio é equilibrar a necessidade de segurança com a sensação de que a fiscalização é justa e transparente”, explica Lima.

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