1% mais rico tem renda 30 vezes maior que os 50% mais pobres

Índice é um pouco menor que em 2023 – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Segundo o relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, a desigualdade de renda sofreu uma queda. Em 2024, o 1% mais rico do país tinha um rendimento médio 30,5 vezes superior aos 50% mais pobres, um pouco menor que em 2023 (32,9 vezes). A maior disparidade foi registrada na região Nordeste (32 vezes), enquanto a menor ocorreu no Sul (23,3 vezes).

Houve também uma redução da proporção de pobres em 23,4%, em 2024, conforme critérios do programa Bolsa Família, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Embora a proporção tenha reduzido em todas as regiões, o Nordeste ainda desponta como a de maior prevalência de pobreza (6,6%), enquanto a de menor prevalência é no Sul do país, com 1,5%.

Outro destaque do documento é o rendimento médio que cresceu 2,9% em 2024: alcançou R$ 3.066, o que representa um crescimento real de 2,9%. E a taxa de desocupação atingiu 6,6%, uma redução de 1,2 ponto percentual, em relação a 2023. A queda foi mais expressiva entre as mulheres (de 9,5% para 8,1%) e entre a população negra (de 9,1% para 7,6%).

De acordo com o doutor em economia, Weslley Cantelmo, essa queda na desigualdade é explicada pela retomada das políticas sociais ainda em 2022. “O Bolsa Família contribui bastante para essa redução, pois ele atua na base da pirâmide social. Não só essa política, mas também outras, como a aquisição de alimentos para as escolas, isenção na tarifa de energia, barateamento do valor do gás de cozinha, entre outros”.

“Em termos de fatores econômicos, a própria retomada dessas políticas públicas ajudou para o aquecimento da economia. Com a taxa de desocupação baixa, apesar de serem funções menos qualificadas e de menores salários, quando temos a maior parte da população vinculada a algum tipo dessas atividades econômicas, isso reflete um efeito multiplicador e, por consequência, no emprego, e assim tem um círculo virtuoso”, acrescenta.

Na avaliação de Cantelmo, não se trata de uma tendência sustentável de redução da desigualdade. “Ela pode voltar a aumentar com os processos de desaquecimento da economia, como a taxa de juros elevada”.

O economista aponta como um grande desafio colocar em prática um projeto nacional de desenvolvimento. “Que altere o perfil produtivo da economia brasileira. As nações do mundo que conseguiram alcançar patamares de redução da desigualdade e de desenvolvimento foram por meio de políticas que se voltaram à transformação da paisagem produtiva do país. Saíram da base de economias de exportação primárias, como a exportação de soja e minério de ferro, e passaram a competir no cenário internacional na ponta das cadeias de valor, com agregação em produção e tecnológica”.

Imposto de renda

A necessidade de justiça tributária defendida pelo governo federal, com aumento da tributação dos mais ricos e isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, aparece justificada no Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025.

Os dados demonstram que a progressão do imposto de renda ocorre até a faixa de renda de 15 a 20 salários mínimos. Para as pessoas que ganham acima desse valor, a tributação é regressiva, ou seja, a população com maiores rendimentos paga menos imposto. Em evidência no estudo, os contribuintes com mais de 320 salários mínimos tiveram redução na alíquota média do imposto de renda, de 5,43% para 4,87%.

Para o profissional, a estrutura tributária brasileira é altamente regressiva. “Faz o pobre pagar muito mais do que o rico. Precisa inverter essa lógica, tornar nossa estrutura mais progressiva, o que significa que, proporcionalmente, aquele que tem maior capacidade de contribuição tributária, passa a pagar mais e aquele com menor renda, passa a pagar menos”, finaliza.

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