Crédito imobiliário cresce 17,5% e chega a R$ 160 bilhões no primeiro semestre

Volume financiado cresceu 17,5% no primeiro semestre / Foto: Magnific.com

O financiamento imobiliário chegou a R$ 160,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma alta de 17,5% em relação aos R$ 136,4 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

De acordo com a entidade, o crescimento foi impulsionado pelo aumento dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O maior avanço veio dos recursos do SBPE. Entre janeiro e junho, foram financiados R$ 93,738 bilhões, crescimento de 28,55% comparado aos R$ 72,921 bilhões do primeiro semestre do ano passado.

Já as concessões com recursos do FGTS somaram R$ 66,565 bilhões, aumento de 4,86% na mesma comparação. Ao todo, 563.457 unidades foram financiadas por meio de crédito do SBPE e do FGTS no primeiro semestre, número 11,54% superior às 505.170 unidades no mesmo período de 2025.

O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, salienta que esse aumento de crédito tem a ver com as mudanças das regras da redução do depósito compulsório da poupança no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. “Com relação ao crescimento das concessões pelo FGTS, a aplicação recorde por parte do Fundo em financiamentos de obras e vendas de apartamentos, principalmente, do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, explica esse movimento”.

A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, afirma que o aumento também está relacionado à elevação do valor do crédito com os recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que passou de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, possibilitando a aquisição de apartamentos mais caros. “Os dados mostram que o primeiro semestre de 2026 foi o melhor período no mercado imobiliário desde 2021. E a mudança na faixa de valor permitiu uma parcela maior de liberação de recursos”.

Acesso ao crédito

O especialista em consórcios Gustavo Brant de Vasconcelos ressalta que o crescimento do financiamento mostra que existe demanda e que parte dela está conseguindo se concretizar. “Mas, não significa que todas as pessoas que desejam comprar um imóvel estejam realizando esse objetivo”.

Existe uma diferença entre intenção de compra e capacidade efetiva de aquisição, explica Vasconcelos. “Muitos consumidores ainda precisam ajustar o valor do imóvel, a entrada, o comprometimento da renda ou até mesmo avaliar uma modalidade diferente de aquisição para concretizar o negócio”.

“Uma mudança relevante que percebo no comportamento do consumidor é justamente uma maior preocupação em comparar as modalidades antes de tomar uma decisão. Mais do que simplesmente buscar uma parcela que caiba no bolso, o cliente precisa pensar em qual estratégia de aquisição faz mais sentido para o patrimônio que pretende construir”, finaliza.

Projeção de alta

A CBIC mantém a projeção de aumento de 1,2% para a construção civil em 2026. Ieda esclarece que o setor continua mostrando capacidade de crescimento, mesmo diante de um ambiente econômico mais difícil. “O cenário restritivo atual, com a taxa Selic em patamar elevado, os custos acima da inflação e a redução das expectativas positivas dos empresários do segmento são fatores limitantes para um incremento nas expectativas”.

“Mas temos, por outro lado, um mercado de trabalho positivo, obras de infraestrutura em ritmo mais forte e os efeitos dos lançamentos imobiliários dos últimos anos. São fatores que ajudam a sustentar a atividade e, por isso, mantemos nossa expectativa de crescimento de 1,2%”, complementa.

Considerando todo o ramo da construção civil, o saldo de novos empregos registrado pelo Novo Caged no primeiro semestre de 2026 aumentou cerca de 6,52% na comparação com igual período do ano passado. Em junho, o segmento alcançou 3,119 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o país, crescimento de 3,16% em relação ao mesmo mês de 2025.

Já o levantamento da CBIC, por meio da Comissão da Indústria Imobiliária (CII), mostra que 226.536 unidades foram comercializadas de janeiro a junho, alta de 5,4% em relação às 214.910 unidades vendidas no mesmo período de 2025. No segundo trimestre deste ano, foram vendidas 113.676 unidades residenciais, crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre.

Compartilhe

Em destaque