“Não há mais disputa e tudo está acertado entre os parlamentares estaduais de Minas. O deputado Doorgal Andrada (PP) será o futuro presidente da Assembleia Legislativa”. Essa foi a frase ouvida incessantemente nos bastidores do parlamento mineiro, no decorrer da semana passada. Caso seja confirmada a previsão dos interlocutores, o jovem parlamentar estaria repetindo o feito de seu avô, Bonifácio Andrada, que à época, também ainda jovem, foi escolhido para comandar a Casa Legislativa.
Nascido em 1992, o provável futuro presidente, eleito na última peleja com mais de 100 mil votos, estará em seu terceiro mandato. Ele começou como vereador de BH, tendo a experiência de ser então presidente da Comissão de Legislação e Justiça.
Composição da Mesa
Alguns registros protagonizados no decorrer das discussões para a disputa à presidência da Assembleia Legislativa merecem destaque. Uma dessas cenas foi o fato de o deputado Sargento Rodrigues (PL) ter sido forçado pelos colegas de partido a desistir de sua campanha, em favor de Bruno Engler (PL), eleito com mais de 600 mil votos. Mas era tudo encenação, Engler também desistiu e passou, por sua conta e risco, a declarar apoio a Doorgal Andrada.
Ainda nos meandros do Legislativo, é quase consenso quanto à continuidade do deputado Gustavo Santana como primeiro-secretário da Mesa Diretora. Afinal, o Partido Liberal tem uma bancada de 21 parlamentares.
Outros nomes podem fazer parte desta lista de membros da direção, como por exemplo, o deputado Betinho Pinto Coelho (União Brasil), cotado para o posto de vice-presidente. Com perfil de um político conciliador, a sua presença seria uma certeza de facilitar o diálogo com os diversos grupos que às vezes debatem hostilmente em busca de aprovação de suas teses.
Esse processo que parece caminhar para uma candidatura única ao topo do Parlamento do Estado teve início com a decisão do atual presidente, o deputado Tadeu Leite (MDB), a quem coube dar o pontapé inicial. Ele se tornou o padrinho número um para tentar viabilizar Doorgal como o seu sucessor, mas suas ações tiveram quase unanimidade dos deputados em geral, acabando com as chances de acirramento.
A ação de Tadeu eliminou a possibilidade de uma interferência do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), nos meandros daquela Casa. Para políticos experientes, essa decisão foi acertada, até porque o jogo por lá deve ser jogado entre os pares, evitando receber injunções do Poder Executivo, o que já foi visto ao longo dos últimos anos em Minas.