
Os recursos destinados pelo governo federal às áreas de esporte e lazer apresentaram crescimento significativo nos últimos anos, segundo dados do estudo Placar Brasil, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE). A pesquisa analisou e comparou os períodos de 2019 a 2022 e de 2023 a 2026 e entre os resultados está a evolução da média anual de investimentos na função Desporto e Lazer.
O valor, que era de R$ 767,1 milhões no primeiro período analisado, chegou a R$ 1,75 bilhão no segundo, representando uma alta de 128,16%. O levantamento indica uma maior participação do esporte entre as áreas contempladas pelas políticas públicas federais.
O impacto também pode ser observado no número de beneficiários. As ações desenvolvidas pela Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social tiveram crescimento de 132,69% na quantidade de beneficiários diretos, a média anual de pessoas atendidas saiu de cerca de 300 mil para quase 700 mil.
Para o antropólogo do esporte Rafael Muniz, os números devem ser analisados não apenas pelo volume de dinheiro empregado, mas também pelo impacto que pode gerar na vida da população. “Quando o investimento público aumenta e chega a mais pessoas, o esporte deixa de ser visto apenas como uma atividade de competição e passa a funcionar também como uma ferramenta de educação, convivência, desenvolvimento pessoal e acesso a oportunidades”.
Segundo Muniz, a presença de programas esportivos em comunidades pode ter papel especialmente relevante entre crianças e adolescentes. “Para muitos jovens, participar de uma atividade esportiva significa ter acesso a um espaço seguro, estabelecer vínculos, aprender a trabalhar em equipe e desenvolver disciplina. São experiências que podem contribuir para a formação desses jovens dentro e fora das quadras”.
Outro indicador destacado pelo estudo é a expansão da estrutura destinada à prática esportiva. No período analisado, houve aumento de 59,21% na quantidade de núcleos esportivos implantados. Conforme o levantamento, essa expansão contribuiu para levar as políticas públicas a mais localidades do país e ampliar as oportunidades de acesso ao esporte, especialmente como ferramenta de inclusão social.
A pesquisa também evidencia uma expansão dos recursos destinados à infraestrutura esportiva. Na comparação entre os dois períodos avaliados, a média anual de valores empenhados para obras e aquisição de equipamentos passou de R$ 254,9 milhões para R$ 530,9 milhões, representando uma alta de 108,29%. A quantidade média de projetos contemplados apresentou crescimento de 30,59%, paralelamente, o investimento médio destinado a cada iniciativa aumentou 59,50%.
O Bolsa Atleta também registrou crescimento, a média anual de bolsas concedidas passou de 5.252 para 9.699, alta de 84,66%, enquanto os investimentos no programa aumentaram 86,23%.
Na avaliação do educador físico Ricardo Menezes, políticas de incentivo aos atletas podem produzir efeitos que vão além do desempenho esportivo. “O apoio financeiro pode representar a diferença entre um jovem abandonar uma modalidade por falta de condições ou conseguir continuar treinando e competindo. Em muitos casos, o esporte funciona como uma porta de entrada para novas perspectivas de vida”.
Menezes ressalta ainda que o esporte pode desempenhar um papel importante na redução das desigualdades. “Quando uma política pública oferece acesso gratuito ou subsidiado a atividades esportivas, ela cria oportunidades para pessoas que não teriam condições de pagar por treinamento, equipamentos ou espaços privados. Isso torna o esporte um instrumento importante de inclusão social”.
Na Lei de Incentivo ao Esporte, a quantidade média anual de projetos apresentados subiu de 2.117 para 5.033, crescimento de 137,71%. Os recursos captados também avançaram, passando de R$ 489,8 milhões para R$ 1,15 bilhão por ano. No paradesporto, o número de entidades apoiadas cresceu de 22 para 124, enquanto o investimento médio anual passou de R$ 4,4 milhões para R$ 12,1 milhões.
Para os especialistas, a expansão das políticas esportivas precisa ser acompanhada pela preocupação com a continuidade dos programas e pela distribuição dos recursos. Mais investimentos podem significar mais oportunidades, mas o alcance social depende da capacidade de fazer com que essas ações cheguem efetivamente às diferentes regiões e públicos.