Hospitais Regionais

O planejamento do governo mineiro, implementado há cerca de três anos com o objetivo de construir Hospitais Regionais, proporcionou momentos de esperança e até de euforia perante a população. Hoje, constata-se que das cinco unidades prometidas, apenas a obra do prédio em Divinópolis foi erguida. As demais continuam sendo tocadas ao sabor da burocracia estatal, servindo tão somente para incrementar ou renovar as promessas de campanhas eleitorais de 2026.

Estrategicamente, a possível entrada em funcionamento dessas unidades desafogaria as demandas por procedimentos médicos, especialmente pelos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Há uma enorme saturação na rede estrutural, pelo excesso na procura por tratamentos e exames em Belo Horizonte, notadamente de pessoas procedentes das mais diferentes regiões de Minas Gerais. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, uma média de 15 mil pessoas por dia são atendidas na capital mineira nas unidades próprias. Além disso, os postos da Farmácia de Minas e Farmácia Popular coadunam com enormes filas de quem tem o direito de acessar seus remédios gratuitamente.

Ao longo dos últimos três anos, o tema vem ocupando o noticiário, mas o que pouco se propala é que os recursos para viabilização dos prédios em Governador Valadares, Conselheiro Lafaiete, Sete Lagoas e Teófilo Otoni, assim como o já concluído em Divinópolis, está sendo viável pelos aportes financeiros da mineradora Vale, como reparação em função do rompimento da Barragem em Brumadinho.

Os valores seriam administrados pelo Governo de Minas, mas tudo ficou meio fosco. Era comum ouvir o então governador Romeu Zema (Novo) afiançar: “Estamos realizando essas obras para garantir uma saúde melhor para todos”. O que ele ocultou foi que tudo isso aconteceu com perda de vidas e muito sangue derramado, durante a tragédia do rompimento em 2019.

Certamente, é sem sentido a citação do ditado popular, segundo o qual em política vale tudo, só não vale perder a eleição. No episódio aqui narrado, seria de bom senso ao menos respeitar a memória das 272 vítimas fatais do nefasto acontecimento.

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