
A Black Friday 2026 deve movimentar R$ 13,3 bilhões no comércio eletrônico brasileiro, alta de 20,7% em relação ao evento de 2025, segundo o levantamento feito pela Confi, por meio da Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil. A expectativa é que sejam vendidos 69,4 milhões de produtos entre os dias 26 e 29 de novembro, um avanço de 15,4% na comparação anual.
Já o dia 11/11, data promocional de novembro, deve atingir R$ 3,17 bilhões em faturamento e manter sua posição como a segunda maior concentração em vendas em um único dia. Entre as categorias com maior faturamento previsto, os eletrodomésticos aparecem na liderança, com R$ 2,12 bilhões projetados e crescimento de 44,5%, em relação ao ano passado. Na sequência, estão moda e acessórios, com previsão de R$ 1,38 bilhão em vendas, avanço de 44,2%, e beleza e perfumaria, que devem movimentar R$ 910 milhões, uma alta de 69,8%.
O estrategista de performance empresarial, Thiago Shimada, explica que esse resultado é uma combinação entre condições de consumo, expansão do comércio eletrônico e concentração das compras no período de descontos. “A renda disponível, a segurança no emprego, o acesso ao crédito e a entrada do décimo terceiro ajudam a definir o quanto as famílias conseguem gastar”.
O especialista ressalta ainda que o consumidor pode adiar a troca de um produto ou antecipar as compras de Natal para aproveitar a data. “Por isso, não interpretaria o crescimento projetado como sinal de maior folga financeira. A busca por promoções pode expressar um orçamento apertado. Além disso, precisamos separar aumento do faturamento, variação de preços e crescimento da quantidade vendida. São movimentos diferentes, embora apareçam reunidos no valor final das vendas”.
Termômetro
Para Shimada, a Black Friday é um termômetro útil da disposição de compra e da capacidade do varejo de converter interesse em vendas. “Ela permite observar sensibilidade a preços, preferência por categorias, formas de pagamento e resposta às condições de crédito. O limite é que esse termômetro mede uma situação muito específica, com descontos, publicidade intensa e compras concentradas”.
“O comércio eletrônico também representa apenas uma parte do consumo nacional. Um resultado forte pode refletir migração das lojas físicas para a internet ou antecipação de despesas, sem indicar expansão equivalente no conjunto da economia. Uma data isolada não mostra se as famílias conseguirão sustentar o mesmo ritmo”, acrescenta.
A previsão de crescimento do mercado precisa ser traduzida para a realidade de cada negócio, destaca o estrategista. “O empresário deve considerar sua categoria, sua base de clientes, o estoque disponível e a capacidade de entrega antes de assumir despesas ou ampliar compras”.
“Uma Black Friday bem executada precisa gerar resultado financeiro e preservar a confiança do cliente. Vender mais é parte da análise. Entender quanto sobra e quando esse dinheiro entra no caixa é o que permite planejar o próximo ciclo”, finaliza.
O setor
Entre janeiro e setembro de 2026, o comércio on-line faturou R$ 322,6 bilhões, alta de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o número de pedidos avançou 34,9%, para 1,20 bilhão, enquanto o tíquete médio caiu 13,4%, de R$ 309,70 para R$ 268,20.
Os dados do estudo mostram também que o Sudeste continua concentrando a maior parcela do e-commerce brasileiro. A região registrou R$ 187,3 bilhões em faturamento, o equivalente a 58,3% do total nacional. O maior ritmo de crescimento, entretanto, foi observado no Norte, com avanço de 22,2%. Na sequência aparecem Sudeste, com alta de 18,1%; Centro-Oeste, com 16%; Sul, com 14,9%; e Nordeste, com 14%.
Black Friday 2025
De acordo com o relatório, em 2025, o período tradicional de quatro dias da Black Friday respondeu por apenas 23,5% das vendas on-line de novembro. Considerando todo o mês, o faturamento do e-commerce alcançou R$ 46,98 bilhões, avanço de 27,3% na comparação anual. O resultado de novembro correspondeu a 12% de todo o faturamento do comércio virtual naquele ano.