
A proporção de brasileiros que praticam exercícios físicos regularmente passou de 37%, em 2023, para 56%, em 2026, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica. No mesmo período, a forma de se exercitar também mudou: em vez da busca por treinos diários, a frequência de três a cinco vezes por semana ganhou espaço, por ser considerada mais compatível com a rotina.
Entre as modalidades, academia e musculação seguem na liderança, passando de 53% para 64% das preferências. Já a caminhada e a corrida registraram o maior crescimento proporcional, avançando de 29% para 42%. O coordenador de Esporte e Lazer do Sesc Minas, Renan Costa, observa que modalidades mais acessíveis, como a caminhada e a corrida de rua, ganharam força nos últimos anos, o que contribui para a inclusão de mais pessoas à prática regular de exercícios.
Ele acrescenta que a pandemia também influenciou essa mudança de comportamento. “As pessoas passaram a olhar com mais atenção para os cuidados com a saúde e perceberam a atividade física como uma aliada fundamental para o bem- -estar e a qualidade de vida”.
O coordenador ressalta ainda que programas públicos desempenham papel fundamental no acesso à atividade física. “Nem todas as pessoas têm condições de frequentar academias ou praticar modalidades que exigem investimento financeiro, e os espaços públicos oferecem oportunidades gratuitas e geralmente próximas às residências dos praticantes, facilitando a logística”.
Crescimento entre as gerações
De acordo com a pesquisa, o maior crescimento proporcional da prática regular ocorreu na Geração X, entre pessoas de 45 a 60 anos. O índice passou de 32%, em 2023, para 51%, em 2026, alta de 59%, a maior variação proporcional registrada pelo estudo. Já na Geração Y, formada por adultos entre 29 e 44 anos, o índice subiu de 38% para 58%, um avanço de 53%.
A Geração Z, pessoas entre 14 e 28 anos, segue como a mais ativa em termos absolutos, com 63% de praticantes regulares em 2026, contra os 46% registrados em 2023. Já os baby boomers, acima de 60 anos, aparecem como os mais engajados na prática. Enquanto os mais jovens oscilam na frequência, esse grupo mantém constância e disciplina.
A aposentada Meire Jane de Paula, 66 anos, conta que faz exercícios físicos há três anos. “O que me motivou foi uma operação no joelho. Faço ginástica três vezes por semana e hidroginástica duas vezes, e é muito importante para minha rotina, pois me traz ânimo e força muscular. Já deixei a bengala e tenho mais confiança e segurança para caminhar”.
Já a dona de casa Daniele Cristina Guedes, 47 anos, comenta que faz atividade física há cerca de 15 anos. “Pratico CrossFit sete vezes por semana, mas já houve uma época em que a frequência eram dois treinos por dia, com musculação”.
Para Daniele, o que mais a motiva a praticar exercícios físicos está relacionado, principalmente, ao bem-estar físico e mental. “São vários os benefícios, percebo que em relação à saúde mental faz toda a diferença. Além da autonomia que a atividade física gera aos praticantes, que é inquestionável. A musculatura é essencial para a longevidade”.
Constância
Costa observa que praticar exercícios de forma esporádica pode trazer benefícios pontuais, como sensação de bem-estar e disposição momentânea, mas é a frequência e a constância que proporcionam os maiores benefícios. “Quando a atividade física faz parte da rotina, os ganhos se tornam mais consistentes, como a melhora do condicionamento cardiorrespiratório, da força muscular, da composição corporal e da qualidade de vida”.
“Além disso, os efeitos preventivos em relação às doenças crônicas e os benefícios para a saúde mental são potencializados. Em outras palavras, os resultados mais significativos para a saúde não dependem apenas da prática de exercícios, mas da sua manutenção de forma regular e ao longo do tempo”, complementa.
Segundo o coordenador, os principais desafios para manter uma rotina regular de atividade física costumam ser o cansaço do dia a dia, a falta de tempo e a expectativa de obter resultados rápidos. “Encontrar uma modalidade que gere prazer e se adapte à rotina é fundamental para transformar a prática de exercícios em um hábito duradouro”, finaliza.