Se existe no mundo uma cidade que trata bem os seus idosos, com certeza não é Belo Horizonte. A vida das pessoas mais velhas, que alguém teve a infeliz ideia de chamar de “melhor idade”, que vivem na capital mineira é um verdadeiro desafio comparado às vilas milenares do interior da China, habitadas por cidadãos bem acima dos 80 anos. Lógico que nem todos os problemas são causados pela ineficiência do poder público, mas no fundo, a maioria é.
Basta fazer uma pequena pesquisa para entender a situação. No Brasil, algumas cidades aparecem listadas como as que oferecem melhor qualidade de vida para seus idosos. Pela ordem aparecem São Caetano, Santos, Florianópolis, Curitiba e Vitória. Todas combinam boa rede de atendimento à saúde, segurança e estrutura urbana. Acho que a nossa Belo Horizonte pode ser incluída no primeiro ponto, fica devendo no segundo, mas está longe, muito distante, no terceiro quesito de estrutura urbana.
Mas para falar da relação urbanística de BH temos que destacar que nem sempre o poder público é o culpado. Como disse antes, ele é responsável pela maior parte, o complicador é quando entra a participação do ser humano na questão.
A prefeitura tem a responsabilidade de cuidar dos transportes e da pavimentação das ruas, mas os passeios são de responsabilidade dos cidadãos. A Lei Complementar nº 12/1975 (art. 28) diz que os proprietários de imóveis são os responsáveis pela pavimentação, conservação e limpeza do passeio fronteiro, para a prefeitura fica a função de cuidar das calçadas de prédios públicos, parques e praças. A verdade é uma só, as pessoas não estão nem aí para os seus passeios. São esburacados, mal nivelados, com canaletas, degraus e obstáculos de toda prova.
Para se ter uma noção do que estou falando, nesta semana resolvi voltar caminhando da Avenida Carandaí até as proximidades do Hospital Militar, passando pela rua Piauí, logo atrás da Santa Casa. Uma área com muitas clínicas, laboratórios e pequenos hotéis para acolhimento dos acompanhantes de pacientes. Área com intenso trânsito de cadeirantes e pessoas com dificuldades de mobilidade. Foi uma odisseia. Buracos de todos os tamanhos, desníveis, acampamentos, pedintes, entulhos e, para completar o leque, estacionamento de patinetes. Durante o percurso, mesmo com atenção onde pisar, pude notar a dificuldade das pessoas que precisavam do auxílio de terceiros para se locomover. Percebi também que andar de chinelos por ali é quase impossível.
Voltando para o bairro onde moro, senti a mesma dificuldade para dezenas de cuidadores que passeiam com idosos pelas ruas calmas do bairro Fernão Dias. Lixo e cocô de pets infestam as calçadas.
Uma vez por mês, um grupo de jornalistas setentões se encontram no Bar do João, na Savassi, para a resenha mensal. Um encontro para rever amigos e tomar uma boa cervejinha. A reclamação de todos é a mesma. A dificuldade de andar pela Savassi, tomada por moradores de rua, patinetes e tudo mais que já relatei. Há alguns dias, comerciantes da região organizaram encontros para debater os problemas da área. Não sei se discutiram tudo, mas a estrutura urbana merece ser observada de maneira urgente.
O fato é que não fomos criados para ter a paciência que os chineses têm com seus idosos. Tudo é uma questão de respeito. Isso é educação, se aprende em casa e na escola. Pouca gente tem a atenção com um idoso na rua, no comércio ou nas agências bancárias. Muitas vezes, nem mesmo em casa.
Mas é a vida. Aos trancos e barrancos vamos vencendo. O Mick Jagger está aí para servir de exemplo. Ele e mais uns trinta Aposentados & Perigosos.
Pitaco 1: O sorteio da Copa do Brasil evitou que dois times do mesmo estado cheguem à final. Coisas da CBF.
Pitaco 2: Ouvi e gostei: convenção nacional do PL teve carregador de baterias de celulares e de tornozeleiras.
Pitaco 3: Zema… que tristeza. Cada vez que aparece na TV morro de vergonha.