O futebol de base do Palmeiras é um dos melhores do país. Eu pude ver de perto como acontece a formação de atletas do Sub-14 ao Sub-20, em um hotel, em São Paulo. Eu estava na capital paulista para um show de rock e fiquei hospedado bem próximo ao agora chamado Nubank Parque, o estádio do Palmeiras. Em uma das descidas no elevador, eu vi, no segundo e terceiro andares, armários espalhados pelos corredores com adesivos do Verdão. Aquilo me deixou curioso.
No café da manhã, vi alguns jovens com aquele visual conhecido de quem joga futebol profissional: camiseta, short largo, fone de ouvido, chinelo de dedo, alguns com meia e gel no cabelo descolorido. Fiquei observando os rapazes ali, comendo e jogando conversa fora. Deixamos o salão e fui dar uma volta em Sampa.
No segundo dia, lá estavam eles em maior número. Ao subir para o apartamento, em companhia de alguns deles, o elevador parou no segundo andar e eles desceram. Eu fui atrás. Depois de alguns passos, um segurança me abordou: “O senhor não pode ficar aqui”. Eu perguntei o motivo e ele: “Esse andar e o de cima são exclusivos da base do Palmeiras”. Sim senhor, eu disse. Tentei tirar uma foto e ele falou que não podia. “Ok, tudo bem!”
Chegou o dia do show e foquei nele. Na manhã seguinte, lá estavam eles, de novo. Hoje eu entrevisto esses meninos, pensei. À noite, um grupo de oito ou dez estava no hall na saída do hotel. O tio aqui os abordou e pediu para fazer uma entrevista. Desconfiados, disseram que não podiam falar. Eu insisti e afirmei que não revelaria nomes nem tiraria fotos.
A conversa foi fluindo e todos disseram que começaram a jogar futebol com três ou quatro anos de idade. Tinha jogador carioca, paulista, mato-grossense, baiano e vários outros estados do Nordeste. Eles contaram que um olheiro do Palmeiras viaja pelo país e também no exterior, faz convites aos clubes, parceiros ou não, e leva os melhores para a base palmeirense.
Vários deles contaram que já haviam disputado campeonatos em outros clubes do Brasil, Independiente del Valle, Real Madrid e Barcelona. Um jovem de 16 anos, meia-armador, o conhecido e escasso camisa 10, me chamou a atenção. Ele me contou que já tinha um contrato assinado com o Palmeiras, até os 24 anos, e que recebia R$ 30 mil por mês. Ao lado dele um colega disse: “E ele só manda R$ 1 mil por mês para a mãe.” Ah é? exclamei.
Os outros jovens atletas ganhavam um pouco menos, entre um salário mínimo e R$ 5 mil, além de ter cama, comida e transporte pagos pelo clube. Quase todos daquele grupo também já tinham contrato com Adidas, Nike, Puma e outras marcas esportivas para fornecimento de material esportivo.
Pela manhã, vans levam os rapazes para frequentar a escola. À tarde e à noite é bola rolando nos treinamentos. É assim a rotina daqueles jovens que deixam suas famílias em busca de um sonho maior: ser jogador profissional no Palmeiras ou em outro grande clube.
Depois de 20 minutos de conversa, eles se dividiram. Alguns voltaram para o hotel e outros foram dar uma volta por ali perto mesmo, porque às 22h todos devem estar na cama, sem desculpas (risos).
Kona, algo impressionante e desafiador
O Campeonato Mundial de Ironman 2026 (3,8 km de natação, 180 km de pedal, 42,2 km de corrida) foi realizado no dia 10 de outubro, em Kailua-Kona, no Havaí, marcando o retorno histórico da prova masculina e feminina em um único dia de disputa.
Conhecida pelas águas quentes, umidade e calor extremos, Kona se transformou no sonho de milhares de triatletas em todo o mundo. Nas redes sociais há vários vídeos com relatos contando dificuldades, desafios, rotinas, o antes e o depois da prova. Vale a pena conferir.
Parabéns aos 95 atletas brasileiros que participaram da competição. Sete brasileiros pegaram pódio em suas categorias: Fellipe Santos (2º M35-39 – 8h46m58s); Roberto Fonseca (2º M50-54 – 9h07m01s); Ana Augusta (2ª F40-44 – 9h47m45s); José Graça (3ª M50-54 – 9h20m06s); Fernanda Palma (4ª F45-49 – 10h17m07s); Larissa Fabrini (5ª F35-39 – 10h01m01s); e Ana Andrade (5ª F45-49 – 10h22m37s). Demais!