Medo do diagnóstico leva mulheres a adiar exames de câncer de mama

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O medo de descobrir um câncer de mama pode levar mulheres a adiar consultas e exames, apesar da importância do diagnóstico precoce. Levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em parceria com uma indústria farmacêutica, aponta que 54,5% das entrevistadas citaram esse receio como motivo para evitar o rastreamento.

Para a psicóloga Maria Klien, o medo é natural, mas pode se tornar prejudicial quando afasta a mulher dos cuidados necessários. “O medo nos lembra que somos vulneráveis. Para algumas mulheres, vem acompanhado de outras preocupações: sofrer, perder a autonomia, ver o corpo mudar, não acompanhar os filhos crescendo ou ser abandonada. Por trás de um exame adiado, pode existir uma história de perda ou um medo que ela ainda não conseguiu expressar”.

Maria reforça que não é preciso eliminar completamente a ansiedade para procurar atendimento. Buscar informações com profissionais de saúde, conversar com pessoas de confiança e entender as etapas da investigação são caminhos para enfrentar a insegurança. Fazer um exame não confirma uma doença: ajuda a esclarecer dúvidas e identificar alterações.

“Quando a mulher reconhece o que a assusta, fica mais fácil buscar apoio. O receio da dor pede esclarecimentos, a lembrança de uma perda pode exigir escuta e o medo de enfrentar tudo sozinha pede apoio. Construir uma rede de apoio com pessoas próximas e profissionais de saúde que ofereçam escuta acolhedora ajuda a tornar o cuidado mais humano”, destaca.

Rastreamento e diagnóstico precoce

O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O mastologista Omar Filogônio Macedo explica que a mamografia é o principal exame de rastreamento e pode identificar alterações antes dos sinais clínicos. “Quando identificamos a doença nas fases iniciais, geralmente conseguimos oferecer tratamentos mais eficazes, menos agressivos e com melhores resultados”.

Nódulos persistentes, mudanças na pele ou no formato da mama, retração do mamilo, secreção sanguinolenta e nódulos nas axilas precisam de avaliação. Ao perceber alterações suspeitas, a mulher deve procurar um serviço de saúde, independentemente da idade.

O Ministério da Saúde recomenda mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Segundo Macedo, embora a incidência aumente com a idade e a maioria dos casos ocorra após os 50 anos, mulheres mais jovens também podem desenvolver a doença. “Nessa faixa etária, o câncer pode apresentar características biológicas diferentes e em alguns casos, comportamento mais agressivo. Mas o prognóstico depende principalmente das características do tumor e do estágio em que é diagnosticado”.

“Se uma mulher de 30 ou 35 anos percebe um nódulo persistente, alterações na pele, retração do mamilo ou secreção sanguinolenta, precisa procurar avaliação médica. Mas não significa que toda alteração seja câncer. Muitas alterações mamárias em mulheres jovens são benignas. O importante é investigar corretamente, sem negligência e sem pânico”, acrescenta.

Cuidado o ano inteiro

Praticar atividade física, manter o peso adequado e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas que podem contribuir para diminuir o risco da doença. Para Macedo, o Outubro Rosa conscientiza, mas o cuidado deve continuar o ano inteiro.

“É preciso fortalecer a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado como um direito de todas. A mensagem que deixo às mulheres é que conheçam suas mamas, valorizem as mudanças que perceberem e procurem atendimento médico quando necessário”, conclui.

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