Livro finalista do Jabuti discute relações humanas e adolescência

Foto: Divulgação

Os desafios de crescer, compreender as próprias emoções e encontrar um lugar no mundo estão no centro de “A descoberta que mudou minha vida”, livro de Ingrid Haas que foi um dos cinco finalistas do Prêmio Jabuti 2026, na categoria Juvenil. Com uma narrativa inspirada em histórias reais, a obra aborda questões presentes na vida de adolescentes, como conflitos interpessoais, aceitação das diferenças, saúde emocional e construção de relações mais respeitosas.

Publicado pela Editora InVerso, o livro integra a 68ª edição de uma das principais premiações literárias do país, organizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). A seleção reconhece obras de diferentes gêneros e áreas do conhecimento, valorizando a produção editorial brasileira.

A aproximação com o universo adolescente surgiu de uma inquietação pessoal da autora. Formada em Letras e Direito, Ingrid conta que o interesse pelo tema cresceu enquanto acompanhava o desenvolvimento dos próprios filhos e observava os desafios dessa fase da vida. A experiência se somou à trajetória dedicada aos direitos humanos, à diversidade e à inclusão. “À medida que meus filhos foram crescendo, os conflitos e os desafios da adolescência, tão presentes na vida dos jovens, começaram a me inquietar. Foi então que decidi escrever para este público”.

Para construir a narrativa, a escritora conversou com adolescentes, ouviu experiências e reuniu relatos que contribuíram para dar forma aos personagens. O processo aproximou a história de situações vividas pelos jovens e permitiu explorar dilemas que envolvem a convivência familiar, as amizades e a maneira como cada pessoa se percebe diante dos outros.

Entre os temas abordados está a Comunicação Não Violenta, abordagem que propõe escuta atenta, expressão de sentimentos e necessidades e busca por soluções para desentendimentos sem recorrer à agressividade. A proposta dialoga com situações comuns na adolescência, período marcado por mudanças, descobertas e pela necessidade de construir vínculos e afirmar a própria identidade.

A obra também incorpora reflexões sobre terapia, mindfulness, gestão de conflitos e aceitação da diversidade. Ao reunir esses elementos, o livro destaca a importância de reconhecer as próprias emoções, respeitar diferenças e desenvolver formas mais saudáveis de enfrentar divergências. O pertencimento também ganha espaço, especialmente diante da necessidade de ser ouvido, compreendido e acolhido nos diferentes ambientes sociais.

A chegada à etapa final do Jabuti representou o reconhecimento de um trabalho construído a partir da escuta e do interesse pelas experiências dos jovens. Segundo Ingrid, a trajetória da publicação não foi livre de obstáculos. “Lembro da intuição que me levou a escrever para adolescentes, e os vários ‘nãos’ que recebi. Não foi fácil, mas eu não desisti”.

Para Ingrid, a conquista também é resultado da participação de pessoas que acompanharam o desenvolvimento do livro, desde os adolescentes que compartilharam suas histórias até a editora, os leitores, os familiares e os amigos que apoiaram o projeto. “Chegar à final do Prêmio Jabuti, ao lado de grandes nomes da literatura brasileira, é algo que jamais imaginei viver, nem nos meus sonhos mais ousados”.

“Quero agradecer a todos que passaram pela minha trajetória e contribuíram, de alguma forma, para que eu chegasse até aqui. Aos adolescentes que compartilharam suas histórias comigo, a editora InVerso que sempre acreditou nesse projeto, aos leitores, à minha família, aos amigos e a todos que me apoiaram, foram nos lançamentos, me incentivaram e não me deixaram desistir”, conclui.

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