O tom do discurso após a reeleição do presidente Lula (PT) foi de conciliação, e isso pode ter um significado preponderante na relação do Planalto com outros entes da federação, especialmente no tangente aos governadores dos estados. Em Minas, existe a necessidade da abertura de um canal direto de conversações entre o governador eleito, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), com os escaninhos de Brasília.
Petistas mais radicais podem reclamar dessa aproximação, sob alegação de que o governador, politicamente, esteve em palanque oposto ao do presidente reeleito. Mas, a eleição já aconteceu e as manifestações em favor de candidatos aos postos majoritários fazem parte do projeto democrático.
Um levantamento informal comprova que muitos eleitores de Cleitinho também votaram no presidente Lula no primeiro turno. Outra realidade é que antes de ser escolhido titular do Palácio Tiradentes, o governador eleito sempre externou a sua pretensão de conversar com qualquer um que fosse escolhido para comandar o Brasil.
O cenário sugere um diálogo franco entre Minas e Brasília, especialmente em busca de solução para temas complexos, como o imbróglio relativo à bilionária dívida do Estado com a União. Além do mais, a população espera por investimentos vindos da Corte, para garantir obras de infraestrutura no setor de saúde, educação e segurança. Ao presidente Lula, não cabe uma ação de revanche, porque não estaria punindo o chefe do Executivo, e sim, prejudicando os mineiros que majoritariamente o escolheram como uma opção para dirigir o país.
O atual clima de polarização entre as correntes políticas, em muitas oportunidades, caminhando para radicalização exacerbada, deveria ficar circunscrita na prateleira ao lado do bom senso. Afinal, o pleito ficou no passado e agora é hora de pensar no bem da coletividade, independentemente de cores partidárias.