As vitórias que impactam a sociedade atraem a adesão de cidadãos, sobretudo políticos, que delas duvidavam e das quais sequer participaram e preferiram se omitir totalmente ou parcialmente. Para compensar o distanciamento das decisões que geraram tais vitórias, as adesões de última hora chegam a ser desavergonhadas. Sem preocupação como serão recebidas por aqueles que apoiaram autenticamente os movimentos vitoriosos ao final, mas com cinismo se arrogam o direito de terem sido decisivos nas campanhas triunfantes.
Na recente campanha presidencial não houve dúvidas. Foram decisivos o empenho do candidato vitorioso, que chegou a vir a Minas Gerais seis vezes; a ação persistente do deputado federal André Janones na rede social, na qual agrupou 10 milhões de seguidores; e a participação massiva de milhões de eleitores que fizeram de Lula um meio de garantir a continuidade do regime democrático ante o temor das ameaças autoritárias do candidato derrotado nas urnas.
Quem quiser alegar que foi determinante na vitória no segundo turno, estará usando doses de má-fé para se beneficiar ou continuar se beneficiando do governo atual. Para que o 4º governo de Lula tenha um bom resultado, será necessário tomar cuidado com os adesistas, incluindo ainda aqueles que desejam permanecer nos altos cargos da República.
Em Minas, um exemplo disso foi dado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que negociou a ida do senador e ex-governador Antônio Anastasia para o TCU, e no lugar deste assumiu o cargo de senador. Depois, valeu-se de seus contatos pessoais no Planalto, passou a atender somente as demandas restritas dessas pessoas, e praticamente abandonou suas responsabilidades políticas durante o processo eleitoral. No primeiro turno, deixou em inanição por falta de recursos a campanha do candidato a governador de Minas, Patrus Ananias. No segundo turno, ensejou a vitória de Flávio Bolsonaro em Ipatinga, sua base eleitoral.
Antes mesmo, na condição de secretário-geral nacional do PSD, ele ofereceu a legenda do seu partido ao candidato do ex-governador Romeu Zema (Novo). Assim, inviabilizou a candidatura do senador Rodrigo Pacheco, até então seu amigo e nome preferido do Presidente da República. Apesar de todas essas falhas, no final da campanha de Lula, o ministro logo se adiantou para proclamar-se responsável pelo processo de reeleição do presidente em Minas. O que não faltam nas vitórias são adesões oportunistas.