Parece que as eleições de 2026 já são consideradas um marco histórico na vida do Brasil. Não apenas pelo seu resultado, ainda contestado pelo candidato derrotado, mas também pela sucessão de bravatas daqueles que foram surpreendidos pela vontade popular.
Ainda na caminhada entre o primeiro e o segundo turno, Júlia Zanatta, deputada do Partido Liberal reeleita pelo Estado de Santa Catarina, desfilou pelas ruas de Criciúma com um chicote, também conhecido como relho, batendo com força ao chão e gritando frases de como ganhou o pleito com o uso da força. Júlia usa sempre uma tiara de flores como forma de identificação de sua imagem. A estética lembra as mulheres nazistas durante o domínio do Terceiro Reich na Alemanha.
Ela não foi a única. Alguns nomes da rede midiática do país também pregavam o voto sobre cabresto e que, em caso de derrota, deixariam o Brasil. Para ser sincero, na maioria dos casos não fariam nenhuma falta. Foi muita gente que fez este tipo de promessa. É bom lembrar que o empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, prometeu deixar o país em 2022 caso seu candidato não vencesse a eleição. Não cumpriu, ao contrário, ficou e aumentou ainda mais seu patrimônio. Recentemente, inaugurou uma hiper loja em Vitória, no Espírito Santo.
Outro que também anunciou sair do país, mas sem fugir, foi o influencer Pablo Marçal. Inelegível, optou por ser guru do candidato à presidência pelo PL. Foi tutor dele nos debates e chegou a comemorar a virada parcial no segundo turno. Depois declarou “não entender de onde estava vindo tanto voto”. Ainda não cumpriu a promessa e está zanzando por aí.
O ex-governador Romeu Zema, o maior derrotado nessas eleições, não deixou o Brasil. Não deixou nem Minas Gerais. Continua assombrando a Cidade Administrativa e agora quer ser ajudante do eleito Cleitinho. Condenado ao ostracismo, viu seu partido ser o primeiro a reconhecer a vitória do presidente reeleito e sabe que deixou uma complicação para o novo governador.
Mas o pior mesmo ficou por conta do deputado Nikolas Ferreira. Com uma votação estratosférica, aliás nunca colocada em dúvida por seus adversários, começou questionando os votos para presidente. Afinal, tinha prometido um cacife para o partido e acabou perdendo a vantagem. Depois, sem papas na língua e certeza da impunidade, convocou todos os comerciantes ligados ao projeto do PL a boicotar a venda de produtos para partidários adversários. Coisa parecida com a perseguição da Alemanha nazista aos judeus antes da Segunda Grande Guerra. Só não convocou para a Noite dos Cristais, mas chegou a reconhecer que é um fascista quando em vídeo fala: “petistas pediam para que os fascistas recuassem e nós recuamos”. Foi dele também a ideia de vender, em vídeo, a ira dos nordestinos contra as promessas não cumpridas de Lula, feitas na eleição de 2022. O tiro saiu pela culatra. Acertou não só o seu pé, como também o peito de seu candidato. Alguém no set de filmagens fez um making of e mostrou toda a treta. Entre os nordestinos sofridos tinha um que é proprietário de uma Hilux. Não que o povo sofrido possa ter um bom carro, mas a armação foi maior. Até o choro foi programado.
Tudo isso sem contar com a confusão feita pelo ministro Nunes Marques, que não atendeu ao pedido dos partidos para adiar o prazo de votação nas sessões eleitorais, deixando a decisão por conta do VAR.
Pior mesmo, para dar o gran finale, foi a fuga do candidato derrotado. Além de duvidar da origem de 10 milhões de votos, conseguidos por Lula no segundo turno dizendo que apareceram entre 17h e 19h, deu uma banana para seus eleitores e cascou fora. Coisa da família.
Pitaco 1: De acordo com matemáticos, para tirar a diferença de votos, Flávio Bolsonaro teria que ter 37 mil votos por minuto em cada seção eleitoral durante as 2 horas estendidas.
Pitaco 2: E a eleição segue por estes dias nos Estados Unidos e em Israel. O enredo é o mesmo.
Pitaco 3: E até o fim de ano vamos viver de especulações. Quem será ministro? Não vale apostar. As bets estão proibidas.