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23% dos brasileiros dizem estar muito endividados

Cartão de crédito continua sendo o principal vilão do endividamento | Foto: Divulgação

Manter as contas em dia e ter um equilíbrio financeiro não tem sido tarefa fácil para a maioria dos brasileiros. Isso por conta da economia combalida, taxa de desemprego atingindo 11% da população, diminuição da renda e inflação alta. De acordo com levantamento feito pela Proteste, 23% dos consumidores afirmam estar “muito endividados”, enquanto 47% deles dizem estar “um pouco endividados”. O cenário de superendividamento é preocupante, visto que se expandiu para contas de consumo básicas, como energia, telefone, luz, água e internet.

Segundo a pesquisa, 36% dos entrevistados têm pelo menos uma dívida em atraso. As cobranças também aumentaram em 2022. Dos consumidores endividados, 92% afirmam estar sendo cobrados intensamente pelos credores.

O principal vilão do endividamento é o cartão de crédito, lembrado por 72% dos respondentes. O desemprego também aparece como uma das justificativas para a situação financeira adversa. Ele foi apontado por 44% das pessoas. O cheque especial ganhou mais importância neste ano e foi mencionado por 42% das pessoas. Já o empréstimo pessoal foi citado por 36%.

Conforme o levantamento, a principal dívida em atraso é o telefone (32%), seguida pela conta de luz (30%). A internet aparece em terceiro lugar e foi citada por 29% das pessoas. Na sequência vem o IPTU (23%) e empréstimos (22%).

A vendedora Paloma Mendes faz parte do grupo de mineiros que está inadimplente. Sem conseguir trabalho, as contas estão acumulando e gerando preocupação. “É uma situação desesperadora, nunca pensei que eu fosse vivenciar uma coisa assim. Consegui receber as parcelas do seguro-desemprego, que serviu para as despesas básicas. E, mesmo assim, o benefício acabou em fevereiro e, desde então, tenho me virado como posso”.

Ela conta que cortou diversos gastos supérfluos para fazer o orçamento render. “Serviço de streaming já foi cancelado faz tempo. Pedir comida por aplicativo só aos fins de semana e olhe lá. As contas de energia e água estão atrasadas. Quando está próximo de vencer é que eu faço o pagamento, porém, sempre fica pendente a do mês. Agora, cartão de crédito e o financiamento imobiliário não sei como farei. Até porque preciso voltar a trabalhar”, relata.

Como sair do vermelho

É comum não saber por onde começar para se ver livre de uma dívida. Para o economista e especialista em finanças Fernando Almeida, o primeiro passo é anotar todos os gastos mensais. “As despesas com água e energia, por exemplo, não dão para cortar, mas é possível economizar. Também evite compras supérfluas e só use o cartão de crédito se for realmente necessário. Isso porque os juros dessa modalidade são altíssimos e fazem a dívida ficar ainda maior”.

Ainda segundo o especialista, antes da pandemia, o número de inadimplentes já era alto. “Com a inflação alta, desemprego e queda na renda das pessoas, a quantidade de endividados só vem aumentando. A cultura do brasileiro também é uma coisa que precisa ser mudada. Ele adquire contas sem saber se conseguirá ter o dinheiro para quitar. Não pensa numa possível emergência ou gastos extras e compromete o orçamento familiar”.

Ele orienta que o ideal é guardar uma parte dos ganhos, quando possível, para ter uma reserva financeira. “Evite compras supérfluas e o uso do cartão de crédito. Priorize o pagamento de financiamentos ou parcelas de empréstimos. Outra dica é não esperar a empresa ou os famosos feirões limpa nome. O consumidor também pode entrar em contato com o credor para buscar uma renegociação. Veja como está sua vida financeira e calcule o quanto de dinheiro pode ser direcionado ao pagamento da dívida”, explica.