Home > Economia > 56% dos brasileiros ainda têm dificuldades para poupar dinheiro

56% dos brasileiros ainda têm dificuldades para poupar dinheiro

Especialista em finanças aponta o desemprego e a crise econômica como principais fatores | Foto: iStock

Guardar algum dinheiro é um luxo para poucos, principalmente, durante a pandemia de COVID-19 que desestabilizou a vida financeira de muita gente. Segundo levantamento feito pela Acordo Certo, fintech de renegociação de dívidas on-line, 56% dos brasileiros declararam ter dificuldades em conseguir poupar. Seja para uma emergência, realizar uma viagem, comprar uma casa ou até mesmo um carro, ter uma quantia reservada é algo considerado impossível para a maioria das pessoas, visto que mal conseguem fechar as contas no fim do mês.

Na avaliação do especialista em finanças Francisco Gonçalves, os principais fatores que contribuem para esse cenário são o desemprego e a crise econômica. “O que tenho observado é que mesmo aqueles que possuem renda e estão trabalhando têm problemas de gastar menos do que ganham. A razão disso é o orçamento das famílias que tem sido corroído pela alta no preço dos alimentos, energia elétrica e combustível”, explica.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial do país, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou 1,16% em setembro e alcançou 10,25% nos últimos 12 meses, sendo a maior taxa para o mês desde 1994. Os números foram puxados pela alta de 6,47% na conta de energia elétrica, que passou a vigorar a bandeira Escassez Hídrica e acrescentou R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

Outro indicador que corrobora para que os brasileiros não consigam guardar algum dinheiro é o fato de 30,2 milhões de pessoas sobreviverem com até um salário mínimo (R$ 1,1 mil). As informações são de um estudo elaborado pela consultoria IDados, com base nos indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Somado a isso, o país ainda concentra uma taxa de desemprego de 14,1% e atinge 14,4 milhões de cidadãos. Além de tudo, cerca de 60 milhões estão inadimplentes.

Cultura do “se sobrar”

Para Gonçalves, apesar da situação financeira desfavorável, a população brasileira conserva também a cultura do “poupar se sobrar”. “Essa ideia não funciona, porque dificilmente vai acontecer de restar alguma quantia do salário. Muitas pessoas têm esse pensamento e sempre postergam para o mês seguinte”.

Ainda segundo o especialista em finanças, a melhor estratégia é a de “guardar antes”. “Ao receber o salário, reserve pelo menos 10% do valor. Vai ser difícil logo no início, mas com o tempo você aprende a viver com os 90% restantes. Essa porcentagem será aumentada gradativamente até alcançar os 20%. É importante entender onde estão todos os gastos e distribuir melhor o dinheiro. Um método que pode auxiliar bastante é a regra do 50-30-20”, esclarece.

Ele acrescenta que muitas pessoas não têm o hábito de compreender o orçamento doméstico. “A educação financeira e um planejamento são imprescindíveis e torna mais fácil priorizar como investir o dinheiro. Crie um objetivo para poupar e mantenha o foco. Não pense apenas no imediatismo e se preocupe também em acumular patrimônio para o futuro”, conclui.