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Preço dos remédios sofre reajuste de até 10,08%

No final de março, o governo federal autorizou um reajuste de até 10,08% no preço dos medicamentos, sendo o maior desde 2016 e o dobro do ano passado. O aumento ficou bem acima da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou 2020 em 4,52%. A alta vem em um momento de economia ainda se recuperando da crise sanitária e vai pesar bastante no bolso dos consumidores, visto que não tem como fugir deste gasto mensal.

A resolução aprovada pelo Conselho de Ministros da Câmara estabelece três percentuais máximos, de acordo com a classe terapêutica dos medicamentos e perfil de concorrência da substância: 10,08% (nível 1), 8,44% (nível 2) e 6,79% (nível 3). Na lista dos remédios que ficaram mais caros estão antibióticos, anti-inflamatórios, medicamentos para dor e diabetes. Os reajustes já podem ser aplicados pelas farmacêuticas, mas cabe às empresas definirem os novos preços.

O cálculo de reajuste, feito pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), levou em consideração a inflação dos últimos 12 meses, além de outros indicadores do setor, como a produtividade das indústrias de medicamentos (fator X), custos não captados pela inflação, como o câmbio e a tarifa de energia elétrica (fator Y) e a concorrência de mercado (fator Z).

Para o economista Ricardo Fonseca, um dos principais motivos que contribuem para o aumento de preço é a alta taxa de câmbio do dólar. “Grande parte dos insumos usados para a fabricação dos remédios é importada. Isso, sozinho, já provoca uma forte elevação nos custos. E nos últimos anos, a moeda americana subiu demais”.

A dona de casa Heliane Barros, 68 anos, tomou um susto ao comprar seus remédios em abril. São medicamentos para controlar a pressão alta e a diabetes. Ela diz que a conta nunca passava dos R$ 130 mensais, agora subiu e chega aos R$ 160. “Desde o ano passado, minha neta é quem busca na farmácia pra mim. Tudo está ficando mais caro. Temos que controlar nosso dinheiro para fazer render até o final do mês”, desabafa.

Alguns proprietários de drogarias ainda devem manter os preços antigos, como é o caso do Antônio Batista. “Todos os anos têm esse aumento em março e que começa a valer a partir de abril. Temos três lojas e já prevendo uma alta, costumamos fazer um estoque para garantir um valor mais baixo aos nossos clientes por pelo menos alguns meses. Fazemos isso há um bom tempo e tem dado certo. Nós conseguimos fidelizar o consumidor e ainda conceder desconto em determinados medicamentos”.