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35,4% dos mineiros começaram o ano com algum débito em aberto

Manter as contas em dia e o equilíbrio financeiro não tem sido uma tarefa fácil para a maioria dos brasileiros, ainda mais com a economia fragilizada, taxa de desemprego alta e inflação só aumentando. De acordo com levantamento mais recente do Serasa Experian, 61,4 milhões de pessoas possuem algum débito em aberto. Em Minas Gerais, 35,4% da população terminou 2020 inadimplente, o que corresponde a 5,8 milhões de cidadãos.

A situação ainda pode ser pior. Desse total de mais de 61 milhões de inadimplentes, cerca de 30 milhões são os chamados superendividados, que são indivíduos que possuem mais contas que sua capacidade de pagamento e vivem à margem do mercado consumidor. Essa estimativa é do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que utiliza os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de negativação junto às empresas e plataformas de proteção ao crédito e a medição do risco de inadimplência feita pelo Banco Central.

O fato é que a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou 2020 em 4,52%, sendo o maior nível desde 2016. A previsão para este ano também é de alta, podendo chegar até 4,81%. A taxa de desemprego bateu recorde e alcançou 13,4 milhões de pessoas na fila por um trabalho no país. Isso sem falar na redução do valor de auxílio emergencial. Não por acaso, os números da inadimplência refletem que até mesmo contas mensais, como água e energia, estão entre as principais dívidas.

Situação desesperadora

A vendedora Paloma Mendes faz parte do grupo de mineiros que está inadimplente. Sem conseguir trabalho desde setembro passado, as contas estão acumulando e gerando preocupação. “É uma situação desesperadora, nunca pensei que eu fosse vivenciar uma coisa assim. Consegui receber o auxílio emergencial do governo, mas o valor é pequeno e serve apenas para as despesas básicas. E, mesmo assim, o benefício acabou em dezembro e desde então tenho me virado como posso”.

Ela conta que cortou diversos gastos supérfluos para fazer o orçamento render. “Serviço de streaming já foi cancelado faz tempo. Pedir comida por aplicativo só aos fins de semana e olhe lá. As contas de energia e água estão atrasadas. Quando está próximo de vencer é que eu faço o pagamento, porém, sempre fica pendente a do mês. Agora, cartão de crédito e o financiamento imobiliário não sei como farei. Até porque preciso voltar a trabalhar, mas isso não tem previsão”, relata.

Saiba como agir

É comum não saber por onde começar para se ver livre de uma dívida. Para o economista e especialista em finanças Fernando Almeida, o primeiro passo é anotar todos os gastos mensais. “As despesas com água e energia, por exemplo, não dão para cortar, mas é possível economizar. Também evite compras supérfluas e só use o cartão de crédito se for realmente necessário. Isso porque os juros dessa modalidade são altíssimos e fazem a dívida ficar ainda maior”.

No caso de financiamentos ou parcelas de empréstimos, o economista afirma que a saída é tentar renegociar. “Priorize o pagamento desses débitos. Tente ligar no banco ou na financeira para ver a possibilidade de estender o prazo para quitação. Apesar de o valor final ficar mais caro, seria a melhor solução. Sugiro também conversar com a família sobre a situação financeira. É o momento de todos colaborarem”, finaliza.