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Que venha uma nova década

Não resta nenhuma dúvida que o ano de 2020 foi absolutamente incomum a todos do planeta. Vai ficar para a história como o ano em que a pandemia do coronavírus tomou conta de tudo. Uma mudança brusca das relações econômicas e sociais provocou uma grande crise em quase todas as atividades econômicas. Em Minas Gerais não foi diferente, mas continuamos a ser um exemplo. Nossos últimos anos foram marcados por um desenvolvimento bastante expressivo. Em todos os campos, principalmente o econômico e o social. De um modo geral ocupamos a segunda colocação no ranking dos estados na Federação. Somos uma França do ponto de vista de extensão territorial, 853 municípios, temos a segunda população brasileira, somos mais de 21,3 milhões de consumidores, mais de 15,9 milhões de eleitores, o segundo maior colégio eleitoral brasileiro, nossa capital Belo Horizonte tem na sua região metropolitana cerca de 6 milhões de pessoas. Uma alta taxa de urbanização. Segunda bancada no Congresso, maior bacia leiteira do Brasil, maior centro distribuidor-atacadista, celeiro agrícola, segundo maior polo têxtil e automotivo, estado responsável por 60% da produção nacional de café, maior rebanho bovino do país, maior produtor nacional de aço bruto, responsável por mais de 45% da produção brasileira de substâncias minerais (minério de ferro, calcário ouro, manganês, etc).

Todos esses números e informações e mais outra lista muito maior de vantagens e diferenciais coloca Minas Gerais numa situação invejável na hora de decidir por uma expansão dos negócios, um aumento de mercado consumidor, lançamento de novos produtos, eleições etc.

Tudo isso é um belíssimo background para qualquer segmento, não é verdade? A resposta não é totalmente um sim. Para a indústria da comunicação especificamente, principalmente as agências de propaganda, sofre muito com estas características de Minas Gerais. Falta para o mercado mineiro de agências de propaganda uma matéria prima muito importante: anunciantes e marcas mineiras. Nossa economia esta muito baseada no setor primário e secundário, caracterizado basicamente pelo fornecimento de matéria-prima para outros estados ou países. Esta rotina tira de Minas a capacidade de produzir marcas, consequentemente empresas para disputar esse fantástico mercado consumidor. Ficamos sem as marcas. Ficamos sem o anunciante. O fato é que ainda somos, essencialmente, grandes fornecedores de matérias-primas, commodities. Exportamos o material bruto e importamos os produtos prontos. Inclusive com a sua comunicação pré-formatada, vinda de São Paulo, do Rio de Janeiro ou de fora do Brasil.

Na composição do nosso Produto Interno Bruto (PIB), cerca de 60% é do setor de serviços. Também nesse segmento superimportante, a presença de marcas mineiras é muito pequena. É um segmento que é atendido pelas marcas nacionais ou internacionais. Minas Gerais já foi muito forte no segmento bancário, no varejo de eletro, automotivo e imóveis, linha mole e vários outros. Hoje todos estes segmentos são liderados por marcas baseadas em outras praças, inclusive a inteligência de marketing.

Um dos pilares de sustentação da propaganda mineira está na comunicação pública. Agências, fornecedores de mídia impressa, eletrônica e digital, profissionais especializados no marketing político, institutos de pesquisa, todas essas empresas matem um volume de trabalho bem acima da média. Grande parte desse aumento considerável nasce da própria experiência que o mercado mineiro adquiriu ao longo dos anos.

O que precisamos, projetamos e procuramos para o mercado mineiro são novas marcas. Ou seja: na sua construção, no seu fortalecimento, enfim, no longo trabalho que devemos fazer para garantir o nascimento e o crescimento saudável de uma nova safra de anunciantes. Esse é o desafio que a propaganda mineira tem pela frente. É um esforço de catequese mesmo, educando e formando uma nova mentalidade junto às empresas que, se ainda não são grandes, oferecem potencial para crescer. Só que em vez de encararmos isso como uma dificuldade, estamos tratando essa tarefa como uma oportunidade. Com a experiência, o talento, a tecnologia e a estrutura que reunimos na propaganda mineira, poderemos começar uma série de novas e duradouras parcerias. Precisamos pensar no sucesso das marcas.

*José Luiz Borel
Publicitário, professor, empresário e presidente da Associação Mineira de Propaganda (AMP)

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