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Sintomas semelhantes ao de COVID-19 fazem diagnósticos de câncer de pulmão caírem

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Sintomas semelhantes ao de COVID-19 fazem diagnósticos de câncer de pulmão caírem o Brasil e no mundo, o câncer de pulmão é o que mais mata e o mais comum em homens e mulheres, perdendo apenas para o de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O alto índice de letalidade tem como causa a rápida evolução, se comparada com outros tipos da doença e pelo diagnóstico que, na maioria dos casos, só acontece em estágio avançado. Não bastasse estatísticas tão negativas, a pandemia causada pelo novo coronavírus tem agravado ainda mais essa situação ao provocar um atraso em consultas e realização de exames, além de confusão devido à semelhança dos sintomas no momento do diagnóstico.

De acordo com um estudo realizado pela instituição Cancer Research UK, em Londres, o número de encaminhamentos urgentes de câncer de pulmão foi o menor entre os tipos da doença desde abril e estima-se que pelo menos 16 mil pacientes deixaram de ser encaminhados para exames a fim de diagnosticar a enfermidade desde março.

Segundo os dados da instituição, em agosto, havia cerca de 8.600 encaminhamentos urgentes por suspeita de câncer no país, 9% a menos que no mesmo período do ano anterior. Em abril, um dos momentos mais críticos da pandemia e de alta adesão ao isolamento social, houve uma queda acentuada de 72% nos encaminhamentos médicos para fechar o diagnóstico da doença.

Na avaliação do oncologista torácico, Carlos Gil Ferreira, a semelhança dos sintomas das duas doenças pode ser desafiador. “Indícios como tosse persistente, falta de ar, cansaço e falta de energia podem ocorrer tanto em pacientes com COVID-19 como naqueles com câncer de pulmão”, diz o médico.

O oncologista lembra que é preciso ter cuidado com pacientes com câncer de pulmão porque, em geral, eles possuem outras comorbidades e muitos são tabagistas, fatores que podem ser agravantes no caso de uma infecção de coronavírus. Ainda segundo o especialista, durante a pandemia, muitos pacientes deixaram de fazer exames, o que causou um retardo nas análises. “Por outro lado, foram descobertos casos de câncer de pulmão em pessoas que não se imaginavam com a doença, mas fizeram exames de imagem do tórax por conta da COVID e anteciparam o diagnóstico”, pondera.

Segundo o Inca, são estimados 30.200 novos casos da doença todos os anos, sendo 17.760 em homens e 12.440 em mulheres. Em cerca de 85% dos episódios, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco. Portanto, o cigarro é, de longe, o mais importante fator de risco para o desenvolvimento da doença. “Mais de 80% dos casos ocorrem em tabagistas ou ex-tabagistas. Contudo, 20% podem ocorrer em indivíduos que nunca fumaram. Por isso, temos que ficar atentos a sintomas respiratórios persistentes”, alerta o médico.

Com a pandemia popularizou-se o oxímetro, aparelho usado para medir indiretamente a quantidade de oxigênio no sangue de um paciente, mas segundo o oncologista, no caso do câncer de pulmão, o teste tem pouca eficácia. “Outros sintomas geralmente ocorrem antes de uma alteração na saturação de oxigenação”, diz. De acordo com Ferreira, tosse persistente, falta de ar, dor no tórax e emagrecimento sem explicação são os principais sinais que devem levar as pessoas ao consultório de um especialista. “A partir de um exame de imagem suspeito, raio-x ou tomografia de tórax, e uma biópsia fechamos o diagnóstico”, afirma.

Como explica o médico, o tratamento depende do estágio da doença. “Cirurgia para os casos iniciais. Para os avançados, radioterapia combinada ou não com quimioterapia ou quimioterapia isolada. Imunoterapia e drogas alvo também podem ser utilizadas”, esclarece.