Livros de autoajuda lideram o ranking de leitura durante o isolamento social - Edição do Brasil
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Livros de autoajuda lideram o ranking de leitura durante o isolamento social

Durante o isolamento social, o brasileiro criou novos e retomou velhos hábitos. Meditação, pequenas reformas, cozinhar, fazer artesanato, dançar e muitos outros passatempos estão sendo utilizados neste momento e um que se fortaleceu bastante é o da leitura.

Dados do 4º Painel do Varejo de Livros no Brasil em 2020 apontaram que tanto as vendas de livro on-line quanto físico cresceram no país. O estudo estima ainda que, por aqui, o hábito de leitura tenha aumentado 50%. Uma análise feita pela Skeelo, plataforma de e-books, mostra que os livros de autoajuda foram os mais procurados.

Para a psicóloga Alessandra Augusto, esse aumento tem a ver com o momento que vivemos. “Um tempo de incertezas, de passar a vida a limpo e de reavaliar nossas convicções e objetivos. Tudo isso fez com que subisse não só a procura por esse tipo de livro, mas pela psicoterapia também. Durante a quarentena, nos deparamos com esse indivíduo ansioso, isolado, inquieto que todos nós temos e as pessoas não souberam lidar com essa realidade. Como consequência, muitas pessoas estão com diversas questões pessoais, afinal esse momento tem gerado angústia, depressão, descontrole e falta de habilidade emocional”.

Funciona?

A empresária Thalita Ribeiras viu na pandemia o tempo ideal para ler alguns exemplares que já tinha em casa. “Comecei lendo o ‘Milagre da manhã’, que fala muito sobre mudarmos nosso costume e tirarmos um tempo para nós mesmos. Ganhei da minha mãe que sempre disse que eu precisava dessa pausa”.

A reflexão veio em boa hora. “Aproveitei que desacelerei a rotina por não poder estar na minha loja e comecei a colocar em prática os ensinamentos do livro. Fez muita diferença para mim. Agora já estou na minha terceira leitura, sempre tirando boas e importantes lições que estão fazendo diferença até no meu negócio, visto que eu consigo estar mais focada na atividade que estou desempenhado”.

A psicóloga esclarece que a linguagem positiva dos livros pode ajudar. “Elas podem ser colocadas na cadeira motivacional para que o indivíduo tenha o primeiro contato com o autoconhecimento. Contudo, são leituras que exigem cuidado, pois são generalistas. Ou seja, trazem um passo a passo para todos, descartando a individualidade, complexidade e demanda de cada um”.

Ela acrescenta que o livro pode ser a porta de entrada para que a pessoa perceba a importância da psicoterapia. “O cidadão aprenderá a lidar exatamente com suas questões. Nas sessões, ele receberá um olhar subjetivo, em cima de sua individualidade. Uma visão única e que escuta a demanda. Os livros podem ajudar, mas não devem substituir a terapia”, conclui.