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Setores imobiliário e de construção civil já apresentam retomada econômica em MG

Um estudo comparativo feito pela Brain Inteligência Estratégica revelou que os setores imobiliário e de construção civil de Minas Gerais estão se recuperando lentamente dos impactos da pandemia do novo coronavírus. Os dados apontam que em março, 16% das obras no estado estavam paralisadas, mas já no início do segundo trimestre, o número caiu para 4%. Porém, essa retomada não foi total, pois, no terceiro mês do ano, 37% das empresas estavam com redução nas atividades, número que subiu para 51% em seguida.

A queda na quantidade de funcionários trabalhando em casa segue de acordo com os demais dados. Entre março e abril, a porcentagem deste modelo de trabalho caiu de 40% para 17%. Em contrapartida, as atividades presenciais subiram de 5% para 17%.

Acompanhando a tendência nacional, 33% dos empresários sentiram diminuição no interesse por propriedades e tiveram redução de 7% nas vendas em comparação com o resto do país. Para o economista Fábio Tadeu Araújo, os dados de queda no número de aquisições e busca por imóveis explicam o porquê de os dirigentes mineiros desejarem acelerar a volta das atividades.

Segundo ele, o ramo já começa a se recuperar, mesmo com o isolamento ainda severo no estado e aponta três fatores essenciais para esse movimento. “A quarentena na capital mineira não ocorre há tanto tempo quanto nas demais cidades importantes do país; pesquisas realizadas com os consumidores locais atestam que o medo em relação à COVID-19 está em queda, ou seja, ainda existe incerteza, mas o viés em junho foi de declínio em relação a abril; e, por fim, hoje, as empresas estão mais preparadas para promover, negociar e firmar contratos digitalmente do que há 3 meses, houve muito aprendizado desde então”.

Araújo acrescenta que o medo agora se concentra entre as pessoas que foram diretamente atingidas pela perda de emprego e, consequentemente, de renda. “Já quem não foi afetado voltou a cogitar compras no mercado imobiliário que, inclusive, haviam sido postergadas no começo da pandemia”.

Para o especialista, é fundamental que se inicie uma recuperação, ainda que lenta. “Quanto antes alcançarmos o fundo do poço e começamos a nos reestruturar, as diferentes estimativas e esperanças de consumidores, industriais e comerciantes vão sendo estabelecidas novamente. Será um processo longo porque é uma crise nunca vista antes”.

Ele acredita que a recuperação prossiga, a menos que ocorra uma segunda onda de COVID-19 ainda este ano. “Se ela não vier, a tendência é de avanço. Fazendo uma análise nacional, no Nordeste, o cenário mais grave já passou, assim como no Norte. Há regiões que estão piores do que estavam há 60 dias, mas, na média nacional, nós temos mais localidades melhores”.

Araújo completa que outros segmentos devem seguir o exemplo do imobiliário. “Tudo leva a crer que, além dos setores essenciais, como alimentação, higiene e saúde, o ramo de construção civil deve ocupar este patamar de liderança e um dos motivos é a taxa de juros no menor nível da história (2,25% até o fechamento desta edição) e essa configuração tende a alavancar novas compras”.

O economista ressalta que esse movimento deve se espalhar primeiro entre os entes da indústria, especialmente o de exportação, pois, embora o mundo esteja regredindo, o dólar se apresenta de forma competitiva para negócios do gênero; depois entre os ramos primários e de agronegócios; e, por último, entre os serviços.

Insatisfação com governo

A pesquisa mostrou ainda um forte desagrado do setor imobiliário mineiro com as atitudes governamentais em abril. Em março, 15% deles consideravam as ações da administração de Romeu Zema (Novo) como totalmente suficientes ante a crise. Agora, este percentual caiu para 1%. Já o número de entrevistados que julgavam insuficientes as iniciativas estaduais subiu de 34% para 40%.

Outro dado que corrobora com essa insatisfação é a menor adesão das empresas locais às medidas governamentais como suspensão de contratos, redução de jornada e férias coletivas. Na comparação com os resultados do país, apenas 48% dos empresários mineiros seguiram as recomendações contra 54% da classe empresarial brasileira.

Ainda no quarto mês do ano, 42% dos empreendedores mineiros acreditavam que o impacto nas atividades seria alto, acima da expectativa manifestada por empresários no restante do país, que ficou em 33%.