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Síndrome do pânico será doença do ano devido ao coronavírus?

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Medo tem sido o sentimento constante desde o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o novo coronavírus tornou-se uma pandemia, quando uma doença infecciosa ultrapassa as barreiras geográficas de um local e pode se espalhar por todos os continentes. Como uma das medidas essenciais para  conter o vírus é o isolamento social, alguns têm pavor de contrair a COVID-19, outros de perder o emprego e até mesmo o abastecimento nos supermercados e farmácias tem virado uma angústia. O cenário de medo coletivo levanta um debate: situações como a que estamos vivendo podem desencadear um aumento no número de crises de ansiedade ou pânico na população?

“Por trazer em seu bojo uma carga de imprevisibilidade com o presente e o futuro em várias dimensões, a ansiedade aguda, o quadro de síndrome do pânico (SP) e suas crises podem ser transtornos emocionais que se farão presentes nos consultórios de psicólogos, psiquiatras e nas emergências de Pronto Atendimento. A alta carga de ansiedade somada ao isolamento social, imprescindível nesse momento, e o que se anuncia enquanto futuro breve podem desencadear essa e outras síndromes e doenças emocionais”, avalia Sonia Pittigliani, psicóloga na Telavita, plataforma de psicoterapia on-line.

Para os diretores da clínica social de psicologia Núcleo do Ser, de Belo Horizonte, Edilene Torino e Eduardo Penido, seria precoce prever tal desencadeamento. “Por não ter referências anteriores de sobrevivência em situações de guerras e tragédias, não temos como dimensionar a reação de uma população como um todo”, afirma Edilene.

“Em princípio, a SP está relacionada  a uma reação de ansiedade exacerbada, representando o extremo de uma escala de estresse e angústia. Pessoas que são suscetíveis ao estresse têm maiores chances de desenvolver a síndrome, pois possui antecedentes como o mau funcionamento do psiquismo e, muitas vezes, se inicia com padrões infantis pouco elaborados relacionados ao medo. Mas, ela pode também ocorrer sem nenhuma causa aparente”, completa Penido.

Taquicardia, sudorese, formigamento nas extremidades, angústia, sensação de infarto, palpitações, tremores, pensamentos catastróficos, dificuldades visuais momentâneas, iminência da morte e perda de controle são os principais sintomas relatados durante uma crise de pânico. A diferença principal é que numa crise comum, esses sinais ocorrem sem uma causa real. “A sensação de morte iminente ocorre sem justificativas racionais. Mas, no caso de uma pandemia, há uma realidade ameaçadora”, diz Edilene. “De forma resumida, desencadeadores não faltarão”, acredita Sonia.

O que fazer?

Para Penido, quem já é diagnosticado com quadro de ansiedade vai saber identificar a crise. “O paciente sindrômico já conhece seu histórico de funcionamento ansioso e extremado e pode se basear nele”, diz. Mas para àqueles que podem vivenciar a sensação pela primeira vez não há muito como evitar a procura por um hospital. “Seria leviano dizer que não procurem um centro de tratamento para realizar um diagnóstico diferencial, em função da semelhança dos sintomas com outros quadros”, afirma.

Com 38 anos de formação, Sonia também aconselha, além de um bom diagnóstico, munir-se de informações e orientações corretas para evitar preconceitos e estigmas em relação à doença. “A SP é tratável e a pessoa pode e deve ter uma vida normal, desempenhando suas atividades da melhor maneira possível. É preciso entender que os picos de ansiedade com sintomas têm duração entre 10 e 15 minutos e podem ser controlados, mantendo a calma e a respiração serena. E, a psicologia, enquanto ciência do comportamento pode ajudar no autoconhecimento para o enfrentamento de crises, que são inúmeras nas nossas vidas e nos momentos de dificuldades emocionais e/ou comportamentais”.