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Coronavírus contamina relação entre Zema e Kalil

Kalil lembra muito o estilo de Itamar Franco

Mesmo que o assunto não tenha sido explorado completamente pela grande mídia mineira, na semana passada aconteceu a cisão política que colocou em lados opostos o governador Romeu Zema (Novo) e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD).

O estopim do epicentro, como todos sabem, foi o decreto de situação de emergência por parte do prefeito para conter a propagação do coronavírus. Embora o prefeito afirme que, naquele mesmo dia (quarta-feira, 18), os dois haviam tratado do assunto e, segundo Kalil, eles estariam de acordo sobre ampliar as restrições para toda a região metropolitana.

No dia do bate-boca público entre o prefeito e o governador, apenas o secretário-geral do governo Zema, vereador Mateus Simões (Novo), fez críticas a Kalil por ter se precipitado sobre o tema, sem levar em consideração as consequências do impacto da decretação de emergência.

No final do mesmo dia, amigos de Kalil afirmavam que a ida de Simões para a Cidade Administrativa detendo poderes, inclusive, de porta-voz, talvez tenha preconizado, em definitivo, e antecipado o distanciamento político entre o prefeito e o governador. Se bem que o grupo de Kalil já vem nutrindo essa tese há muitos meses, tanto que no final de fevereiro fez uma enorme algazarra para anunciar a filiação do senador Antonio Anastasia ao PSD. A ida do antigo tucano para o partido do prefeito foi importante e, ainda por cima, aguçou o faro político de Kalil.

Além do episódio da semana passada, também veio à tona pesquisas eleitorais do Instituto Paraná e do DataTempo avaliando o atual prefeito de Belo Horizonte positivamente. Se o pleito fosse hoje, Kalil estaria reeleito com média de 50% dos votos válidos. E mais, 2 dias depois, o próprio jornal O Tempo afiançava que a população considera como positiva a administração da PBH.

Com a presença de Mateus Simões ao lado do governador, quem falar mal da administração sem ter fundamento, especialmente se tratando de denúncias ou colocações vazias, vai levar o troco. Essa seria uma espécie da frase dita, à época, do governo do ex-presidente Collor: “Bateu, levou”, costumava dizer o seu então porta-voz Cláudio Humberto. Aliás, esse foi o comentário ouvido por deputados na Assembleia Legislativa.

Os amigos próximos de Zema costumam dizer que ele não é de aceitar provocações, inclusive, diante deste possível afastamento político do prefeito. Na avaliação dessas pessoas, se o governador perceber que está errado, é capaz de voltar atrás e pedir desculpas. Agora se for o contrário, ele não abre mão das suas convicções administrativas e do seu viés político. Como se sabe, sua administração já registrava problemas diante da falta de dinheiro, o que só agravou com a chegada do coronavírus. Mesmo assim, são dilemas e demandas incapazes de abatê-lo, é o que garantem as fontes ouvidas pelo Edição do Brasil.

Para além do episódio da pandemia do Covid-19, Zema precisa reunir energias para conduzir outra empreitada: reconstruir sua base de apoio na Assembleia. Semana passada, o seu líder na Casa Legislativa, Luiz Humberto Carneiro (PSDB), jogou a tolha. Ao anunciar sua saída do posto, o parlamentar lamentou com amigos sobre as dificuldades de convencer os deputados do Partido Novo, o mesmo do governador, de votarem nos projetos do Executivo. “Aí fica difícil. Espero que ele escolha alguém capaz de trazer mais harmonia entre os nossos colegas de parlamento”, pontificou.