Home > Saúde e vida > Síndrome de Tourette causa tiques nervosos

Síndrome de Tourette causa tiques nervosos

Caracterizada por uma série de tiques nervosos, a Síndrome de Tourette (ST) acomete 0,06% da população mundial. Na maioria dos casos, a doença surge na infância entre 7 e 11 anos e atinge mais os homens. No entanto, a patologia ganhou evidência após a cantora americana Billie Eilish, 18, revelar à imprensa que tem a síndrome.

Por causa da doença, a artista arregala os olhos, mexe as sobrancelhas com frequência e torce o pescoço. O pediatra e neurologista infantil Clay Brites explica que os tiques podem ser variados e em diferentes lugares do corpo. “Em alguns casos, a pessoa pode ser acometida por tiques vocalizados com emissão de algum som, palavra ou frase”.

Brites acrescenta que a ST possui um alto grau genético e que surge, principalmente, na infância. “Ela também pode aparecer na adolescência e é mais comum em homens. E, em alguns casos, a síndrome pode ter associação a outros transtornos do neurodesenvolvimento ou neuropsiquiátrico como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), depressão, esquizofrenia, autismo, entre outros”.

Segundo o especialista, a pessoa deve ficar em alerta quando os tiques aparecerem por mais de 3 meses. “A doença é crônica, contudo, não causa nenhum mal físico ao paciente. Na maioria das vezes, ele só apresenta incômodo no local onde o tique ocorre. O maior impacto, infelizmente, é social. Muitas pessoas não entendem a patologia e acabam maltratando o indivíduo que sofre desse mal”.

Brites acrescenta ainda que o paciente enfrenta discriminação e passa por situações de escárnio público e bullying. “Com o tempo, essas pessoas podem ter complexos emocionais, ansiedades, crises de autoconceito, baixa autoestima, etc”.

A professora Herica Martins, mãe de Eduardo Martins, 12, diagnosticado com o distúrbio, afirma que o preconceito se deve a falta de reconhecimento da síndrome pelos médicos, acadêmicos e população. Porém, a falta de informação não é a única dificuldade vivida por Herica e Eduardo. A luta teve início já no diagnóstico. “Percebi os primeiros sintomas quando ele completou 4 anos. Eduardo apresentava tremores na mão direita, mania de puxar a camisa e emitia sons de tosse seca. Depois, começou a mover o braço, cabeça e cotovelo para o lado”, relembra.

De acordo com ela, muitos foram os diagnósticos recebidos. “Por causa dos tremores, fiquei com medo de ser Parkinson. Ele foi a vários neurologistas que diziam não ser nada ou reações advindas de estresse. Então, comecei a pesquisar o que poderia ser e, por fim, encontrei uma equipe médica que tratava a ST”.

Para aumentar a visibilidade sobre a patologia, Herica decidiu criar páginas na internet a fim de encontrar outras famílias e, juntas, montarem um grupo de apoio. “Falamos sobre nossas vivências, lutas e tentamos formar uma comissão representativa de famílias e pessoas com ST”.

Inacessibilidade
O grupo criado por Herica tenta, agora, a liberação de alguns medicamentos que ajudam a controlar os tiques nervosos dos pacientes. “Nem todos são cedidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e são remédios caros. Luto para conseguir dois medicamentos que, juntos, somam R$ 800 mensais, além de outros cuidados como terapia, etc”.

Outra dificuldade é a de conseguir inserir o paciente em terapias comportamentais pelo SUS. O auxílio psicológico, segundo o neurologista, é importante. “Além das medicações específicas, a pessoa aprende com a terapia a treinar o autocontrole e evitar quadros que possam piorar os tiques”.

O psiquiatra Caio Antero esclarece que é realizada uma avaliação inicial com objetivo de investigar sintomas e históricos de saúde da vida e dos familiares do paciente. “É essencial diferenciar a ST de outros transtornos de movimento, fala ou pensamento. Somente a partir do diagnóstico é que se inicia um tratamento psicoterápico unido aos remédios”.

Antero afirma que existem tratamentos não medicamentosos que são focados em técnicas de terapia comportamental como a prevenção de hábito e resposta e exposição. “O ideal é descobrir o perfil do paciente e adequar o tratamento ao quadro apresentado”, conclui.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 25 anos. Graduada em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 5 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.