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Modalidade de crédito permite empréstimo entre pessoas físicas

Você emprestaria dinheiro para alguém que não conhece? A maioria responderia “não” a essa pergunta, mas uma nova modalidade de empréstimo vem chamando atenção. Conhecida como Sociedade de Empréstimo Entre Pessoas (SEP), o consumidor que tiver a intenção de obter algum crédito poderá recorrer diretamente a outras pessoas. Inclusive, existem sites e aplicativos para conectar os dois lados. A vantagem do serviço é pagar juros mais baixos, quando comparados aos bancos e instituições financeiras tradicionais.

No que se refere ao segmento de crédito, no qual credores e devedores fazem a mediação das negociações em plataformas digitais, dois tipos de fintechs têm autorização do Banco Central (BC) para operar no Brasil. A Sociedade de Crédito Direto (SDC) usa recursos próprios para realizar operações de crédito e não pode captar recursos do público. Já a SEP, também chamada no mercado de peer-to-peer (de gente para gente, em tradução livre), funciona como intermediária entre um credor e uma pessoa que precisa de um empréstimo. Ela pode captar recursos do público, contanto que estejam atrelados à operação de empréstimo.

Na avaliação do economista e educador financeiro Guilherme Fernandes, essa é mais uma alternativa para facilitar o acesso ao crédito. “O consumidor recorre ao empréstimo diretamente com outras pessoas. Isso é bom, pois gera um aumento na concorrência com as instituições financeiras tradicionais e, consequentemente, redução no custo para todos. Por outro lado, para quem empresta é preciso ter muito mais cautela”, afirma.

Ainda segundo o economista, toda operação financeira envolve custo e risco. “Antes de liberar o crédito, as fintechs têm um sistema de avaliação de cadastro que consegue identificar se o consumidor é ou não um bom pagador. Inclusive, podem negar o empréstimo se necessário. No entanto, vale lembrar que essa ferramenta não tem garantias”.

Fazendo a ponte
Existem diversos sites e aplicativos que conectam quem precisa de dinheiro a quem pretende emprestar. Um deles é o Bullla, que não possui uma instituição financeira intermediando e formalizando os empréstimos entre pessoas. O cofundador da empresa Marcelo Villela, conta que já trabalhou em banco, onde os juros variavam entre 10% e 12% ao mês. Quando saiu do emprego, decidiu criar a fintech para que o consumidor pudesse ter acesso ao crédito a uma taxa de juros mais justa.

Ele explica que o Bullla avalia o comportamento no mercado da pessoa que solicita dinheiro emprestado. “Eles são classificados e recebem uma nota de crédito que pode ser AAA, AA, A, B, C e D. Os investidores também acessam a plataforma e escolhem para que perfil de tomador desejam emprestar. Todos os pedidos são avaliados com muito critério e a taxa de juros varia de 1,7% a 4,5% ao mês. Aqueles que cumprem com suas obrigações terão acesso a juros menores da próxima vez”.

Segundo Villela, os investidores podem emprestar no máximo R$ 20 mil e também passam pela mesma avaliação de crédito de quem precisa pegar dinheiro. “Isso serve para minimizar os riscos, porque ao longo da transação pode acontecer algum imprevisto e faltar dinheiro. A vantagem para o poupador é receber taxas de retorno acima da média do mercado”.

No site e no aplicativo é possível fazer uma simulação do valor que deseja emprestado e em quantas parcelas pretende pagar. Todas as taxas são detalhadas antes do cliente decidir se continua com a solicitação. A plataforma não lucra com os juros. A remuneração do negócio é variável e acontece pelo pagamento do serviço de análise de crédito, busca de investidor e formalização dos contratos.

Somente para emergências
O economista alerta que antes de pedir um empréstimo é preciso analisar sua situação financeira. “A orientação é sempre pesquisar bastante e comparar com as taxas de juros de outras modalidades do mercado. É importante analisar não somente os juros, mas também o Custo Efetivo Total (CET) da operação. Ele contém todos os encargos, tributos, taxas e despesas de um empréstimo”, explica.

Ao buscar crédito é fundamental estar claro o que o consumidor vai pagar. “As empresas são obrigadas a informar o CET nos contratos. A dica é pesquisar sempre usando o mesmo valor e prazo, pois cada empresa tem sua política e tarifas diferentes. Um empréstimo só deve ser feito em casos de extrema necessidade ou emergência e depois de avaliar se as parcelas cabem no bolso”.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.