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Um em cada cinco brasileiros admite uso do celular ao volante

Uma pesquisa lançada pelo Ministério da Saúde indicou que um em cada cinco brasileiros admite usar o celular enquanto dirige. A divulgação do estudo foi feita pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Os dados sinalizaram ainda que as pessoas entre 25 e 34 anos (25,1%) são as que mais assumem cometer a infração.

Não é novidade para ninguém que quebrar essa regra coloca em risco as vidas dos que estão fora e dentro do carro. O psicólogo e especialista em psicodrama socioeducacional, Celso Braga, diz que a resposta ao celular prende mais a atenção do que um possível acidente. “A pessoa é ‘sequestrada’ por algo emocionalmente que acaba sendo prioridade se comparada à razão”.

Por que ignoramos as regras de trânsito, como a de usar o celular enquanto dirigimos?
As pessoas ignoram as regras pois têm imunidade às mudanças. O que ocorre é que, mesmo com a punição, a resposta no celular tende a ser mais importante do que a multa ou que a consequência de um possível acidente do ponto de vista emocional. A imunidade é quando você é “sequestrado” por algo emocionalmente que acaba sendo a prioridade se comparada à razão.

Esse comportamento mostra falta de empatia e cuidado, visto que a pessoa coloca sua vida e a de outras em risco?
A pessoa tem o hábito de se colocar acima do outro em muitas situações e usar o celular, de maneira imprópria, é uma delas. A diferença é que, no que se refere a seguir regras, estamos propensos ao “jeitinho brasileiro”. Somos pouco cuidadosos conosco e com o outro. O brasileiro culturalmente acredita em heróis, alguém que vai nos livrar do mal, então, por que olhar para os riscos?

As pessoas ainda tendem a duvidar de que usar o celular no trânsito é perigoso?
Está mais que comprovado que, em dois segundos de descuido ao olhar para o celular, a pessoa se coloca em risco ao volante. Geralmente, ninguém duvida disso. A questão é que passam por cima da razão, pois “é só uma olhadinha” apontando uma falta de percepção emocional para o risco que correm.

Por que olhamos o celular o tempo todo?
Síndrome do presenteísmo – o termo se refere ao comportamento de pessoas que, mesmo presentes fisicamente, têm seus pensamentos longe das tarefas do trabalho que precisam desenvolver -. Hoje, em nome da agilidade, que se tornou um valor na sociedade, as pessoas respondem mensagens dirigindo, talvez, por medo de perder oportunidades e atenção ou até serem consideradas “lentas”.

Como podemos driblar o impulso de checar o celular a todo o momento?
Para vencer hábitos emocionais é preciso estratégia, inclusive, já existe a opção de você entrar no carro e colocar no modo dirigindo, o que quer dizer que não receberá mensagens. Há seguradoras que têm aplicativos que mostram quantas vezes você pegou o celular dirigindo e te premia se não usar nenhuma vez. De verdade, o melhor a se fazer é mudar o próprio hábito e saber o que é melhor para você, a escolha é sempre de quem dirige.

Se não respeitamos as regras, de que outra forma a conscientização poderia ser feita?
O processo de conscientização tem três condições básicas para acontecer, o diálogo sobre o tema necessita ser mais frequente, o relacionamento entre as pessoas deve aumentar no que se refere a percebermos melhor os outros no trânsito e precisamos aprender coletivamente às técnicas e ferramentas para nos doutrinarmos a não pegar o celular. Devemos falar sobre esse assunto nas escolas, empresas e em casa.
Enquanto isso, as multas precisam continuar, as campanhas de orientação necessitam ser incrementadas e as seguradoras podem adotar a prática de incentivar os bons motoristas sobre as melhores maneiras do uso correto e seguro do celular.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 25 anos. Graduada em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 5 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.