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Em BH, “Pernas de Aluguel” conecta corredores voluntários a pessoas com deficiências

Crédito: Pernas de aluguel

Durante uma corrida na Argentina, em 2014, o professor universitário Rodrigo Dornelas ficou com uma frase na cabeça: “Você também pode ajudar”. Foi o que ele leu, em espanhol, ao passar no trajeto por um grupo de corredores que conduzia pessoas com alguma deficiência, seja motora ou intelectual, por meio de triciclos e cadeiras adaptadas. “Cheguei ao Brasil com vontade de ser voluntário e participar de toda aquela emoção que me marcou, mas não encontrei uma proposta assim em BH”, conta o mineiro.

Ele levou a ideia, que não saía da cabeça, para sala de aula. “Como sou professor universitário, pensei numa forma de provocar meus alunos para que a gente sugerisse a empresas criar um projeto parecido com o que presenciei e trabalhar o tema de responsabilidade social corporativa”, lembra. Foi então que descobriu que já havia uma versão da ideia, só que em São Paulo.

Assim, o projeto “Pernas de Aluguel”, criado em 2014 pelo engenheiro Eduardo Godoy, ganhou sua versão na capital mineira. “Eles me chamaram para coordenar o projeto aqui com outros voluntários e já estamos há 5 anos levando a satisfação de cruzar a linha de chegada a esses nobres corredores. A emoção é tanto para os cadeirantes quanto para os voluntários”, descreve orgulhoso.

Em 5 anos, o projeto coleciona momentos tradicionais e marcantes. “A Volta Internacional da Pampulha é sempre uma experiência maravilhosa que encanta. Na última edição, tivemos um grupo de 150 voluntários, que vieram de todo o Brasil, e conseguimos levar 15 cadeirantes”.

Já uma edição histórica aconteceu no ano passado, no município de Cordisburgo. “Uma virada de conceito do ‘Pernas de Aluguel’ foi o Caminho de Rosas. É uma prova dura, de ultramaratona, em que levamos 13 voluntários já acostumados e duas crianças cadeirantes, com carro de apoio, num percurso de 23km em estrada de terra. E nos marcou não só pela dificuldade, mas, porque, ali deixamos de ser um grupo para formar uma equipe, em que cada voluntário corria em prol do coletivo. A grande diferença entre grupo e equipe é o objetivo. Enquanto o grupo se une para que cada elemento atinja seu objetivo pessoal, na equipe todos se unem para alcançar um objetivo em comum”, resume o coordenador do projeto em BH.

Para participar do “Pernas de Aluguel” como voluntário é necessário ter experiência como corredor de rua. “Os voluntários não necessitam ter experiência em correr com triciclo, mas precisam ser corredores de rua. Os triciclos são preparados, leves e não exigem nenhum esforço adicional. O interessado deve se cadastrar no site e acompanhar a agenda para escolher qual prova quer participar, não há obrigação de estar em todas”, esclarece Dornelas.

Já para a pessoa com deficiência interessada, o processo é um pouco diferente. “Ela deve entrar em contato conosco por telefone ou e-mail e expressar interesse em ser um cadeirante assistido. Nós fazemos o contato e algumas avaliações para testar se ela está apta a participar. Convidamos a quantidade de cadeirantes de acordo com o número de participantes. Em média, 5 voluntários se revezam no trajeto com um cadeirante”, diz. Além disso, atestado médico e autorização de responsabilidade dos pais são requeridos.

Para Dornelas, a principal diferença desta modalidade de corrida é a inclusão. “A regra é nos divertimos com muita responsabilidade e segurança. O interesse não é medir tempo, chegar em primeiro ou mostrar melhor desempenho, nosso intuito é a diversão. Claro que respeitando os outros competidores que estão ali por motivos pessoais, mas trazendo o sentimento de pertencimento e o uso do espaço público ao cadeirante como qualquer cidadão tem direito”.