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Pelo menos uma vez na vida todos iremos passar por um episódio de paralisia do sono

Você já despertou pela manhã sem conseguir se mexer ou abrir os olhos? Com uma sensação de que algo te prendia no colchão? Pode ser que tenha passado por um quadro de paralisia do sono que é bastante comum e recorrente. Estima-se que 2 milhões de pessoas já tenham sido acometidas por esse mal e que, pelo menos uma vez na vida, todos iremos passar pela situação.

O neurologista Luis Cabral explica que o controle do nosso organismo para a movimentação é feito pelo cérebro. “Geralmente, as fibras nervosas que descem da região motora passam pelo tronco encefálico. Durante o sono, principalmente aquele mais profundo, essa região é desativada. Um exemplo é quando carregamos uma criança dormindo profundamente e ela fica mole de tão relaxada”.

Na paralisia do sono, existe alguns retardos do desligamento desse processo natural e, por isso, a pessoa fica petrificada, mesmo estando acordada. “O cérebro desperta, mas perdemos o controle da força muscular. Ou seja, estamos conscientes, porém incapazes de mexer os membros”.

Ele acrescenta que esse quadro pode estar relacionado a algumas doenças. “Como a narcolepsia que é associada a uma sonolência excessiva, diurna, mesmo a pessoa tendo dormido satisfatoriamente a noite”.

Porém, ele pode ocorrer em outras situações. “Efeitos colaterais de determinadas situações, estados psiquiátricos, como pacientes com depressão e ansiedade. Na apneia obstrutiva do sono também existem casos de paralisia”.

Apesar de recorrente, o quadro não é considerado uma doença. “As estatísticas variam muito. Contudo, é bom reforçar que ela não é grave, se não estiver associada a nenhuma outra doença. A paralisia não traz nenhuma consequência e nem piora com o passar do tempo”. Agora, caso a pessoa esteja tendo os quadros com muita frequência, deve procurar um médico, principalmente para verificar se a paralisia não está aparecendo como sinal de uma patologia mais grave. “Em ocorrência esporádicas, pode-se tentar o tratamento com antidepressivos”.

Medo de dormir
Para muitos, a paralisia vai além de um quadro físico e entra no âmbito espiritual. A auxiliar em RH, Bruna Scarpim, relata um caso ocorrido com ela. “Estava deitada de bruços, com o rosto virado para o lado direito. Sabia que estava desperta, mas não conseguia abrir os olhos e nem me mexer. O pior de tudo é que sentia um ar quente próximo ao meu pescoço e ouvia uma voz sussurrando no meu ouvido. Então, rezei, pois achei que ficaria presa nisso para sempre”.

A estudante de direito Franciele Duarte também associou à paralisia a algo espiritual, porque, segundo ela, havia alguém a vigiando. “Acordei e vi um vulto parado perto da minha cama, me olhando. Só que não conseguia mexer e nem gritar. Fechei os olhos e, depois de um tempo, meu corpo foi se soltando e consegui recuperar os movimentos”. Depois disso, ela conta que começou a ficar com medo de dormir e criou uma ansiedade muito grande, mas com as orações a sensação melhorou.

A ciência explica
Segundo o neurologista, a sensação de estar sendo vigiado, de ouvir coisas ou sentir alguém próximo está associada a uma condição chamada alucinação hipnagógica, quando a pessoa começa a dormir, ou hipnopômpicas, momento no qual a pessoa está despertando. “A paralisia ocorre nesses dois episódios e, por isso, essas alucinações podem ser auditivas, visuais e dissensitivas, inclusive com vertigem”.

Isso, segundo ele, torna o quadro mais dramático. “A pessoa, além de estar paralisada, sente tontura, vertigem rotacional e sensação de ver coisas, o que gera ansiedade e medo. Algumas pessoas ficam com pânico de ir dormir, porém, as alucinações são comuns”, conclui.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 25 anos. Graduada em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 5 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.