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O circo

O Brasil foi governado pelo general João Baptista de Oliveira Figueiredo, de 1979 a 1985. O “general cavaleiro” deixou como saldo uma imagem de indiscutível incompetência, além de diversas “pérolas” para reforçar essa indisfarçável incapacidade para o cargo. Algumas do general:

“Um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar”;

“Todo povo é uma besta que se deixa levar pelo cabresto”;

“Sei que o país é essencialmente agrícola. Afinal, posso ser ignorante, mas não tanto”;

“Prefiro cheiro de cavalo a cheiro de povo”;

“Durante muito tempo o gaúcho foi gigolô de vaca”;

“O que sei é que no dia da posse vou embora de Brasília levando apenas minhas mulheres”;

“Me envaideço de ser grosso”;

“Uma coisa que nunca entendi é porque todo artista, esse tal de Caetano Veloso, por exemplo, tem de ser dessa tal de esquerda”;

“Se ganhasse salário mínimo, eu dava um tiro no meu coco”;

“Peço ao povo que me esqueça”.

O Brasil de 2019, até não se sabe quando, é governado pelo tenente reformado, portanto, capitão Jair Messias Bolsonaro. Este se distingue do general na patente, mas se equipara na indisfarçável capacidade de produzir “pérolas”. Algumas do capitão:

“O erro da ditadura foi torturar e não matar”;

“Ele merecia isso: pau-de-arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura”;

“Através do voto não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada”;

“Morreram poucos. A PM tinha que ter matado mil”;

“Por isso o cara paga menos para a mulher. Porque ela engravida”;

“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um couro, ele muda o comportamento dele. Tá certo?”;

“O cara vem me pedir dinheiro para ajudar os aidéticos. A maioria é por compartilhamento de seringa ou homossexualismo. Não vou dar porra nenhuma! Vou ajudar o garoto que é decente!”;

“Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”;

“Como eu estava solteiro nessa época, esse dinheiro do auxílio moradia eu usava pra comer gente”.

Circo, um equipamento que não interessa a todos.