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34% dos brasileiros nunca foram ao oftalmologista

A saúde ocular do brasileiro não anda em dia. É o que mostra uma pesquisa do Ibope que aponta que 34% da população nunca foi a um oftalmologista. Os dados relacionados aos cuidados com os olhos surpreendem: 1 milhão e meio de pessoas apresentam cegueira, 50 milhões sofrem algum tipo de distúrbio de visão, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Estima-se ainda que 80% de todas as causas de deficiência visual podem ser preveníveis ou curáveis.

Para o oftalmologista e diretor do Instituto de Olhos Minas Gerais (IOMG), Leonardo Gontijo, o alto índice de pessoas que nunca foram a uma consulta ocular se deve ao fato do país não conseguir suprir a população com um sistema de qualidade. “Não é surpresa que tanta gente fique desassistida, inclusive há os que ignoram a importância de um exame periódico, fruto de uma educação básica inadequada”.

Para ele, o índice de problemas oculares que poderiam ser evitados, 80%, é muito alto. “Muitas pessoas sequer têm a noção da importância de qualquer exame periódico. No entanto, é triste saber que, apesar da consciência, muitos não alcançam uma plena avaliação devido a inúmeras dificuldades encontradas”.

Gontijo indica que a visita ao oftalmologista deve ser feita anualmente ou, pelo menos uma vez, a cada 2 anos quando não houver queixas. “Os principais exames a serem feitos são: refração, pressão ocular e fundoscopia. Se houver alguma suspeita, outras avaliações podem ser solicitadas. Além de prevenir, detectar precocemente doenças curáveis, tratar e evitar a progressão de outras que não têm cura, mas controle. Com a saúde ocular em dia, o paciente tem mais qualidade de vida, bem-estar e evita uma série de transtornos em sua rotina”.

Boa Visão
Para contribuir com a mudança desses índices, uma equipe de 14 oftalmologistas, comandada por Gontijo, fazem parte do programa “Boa Visão”. “O projeto foi criado para atender uma parcela da população que nunca foi ou não teve a oportunidade de se consultar com esse médico, seja por falta de conhecimento ou questões financeiras. O objetivo é oferecer consultas com a mesma qualidade de atendimento que o IOMG oferece”, explica Tiago Matias, gerente administrativo do instituto.

Desempregados, quem participa de algum programa social, como o “Bolsa Família” e “Bolsa Escola”, e trabalhadores com renda familiar de até 3 salários mínimos podem aderir ao “Boa Visão”. “O paciente cadastrado poderá realizar consultas com os oftalmologistas para atendimento eletivo e urgências, com direito a retorno dentro do prazo de 15 dias, pagando o valor de R$ 65,00 pela consulta. Além disso, eles terão descontos em exames complementares caso seja recomendado”.

Matias elucida que a ideia tem impactado na qualidade de vida e bem-estar das pessoas que não têm acesso a planos de saúde e que esperam por atendimento nas filas do SUS. “A prevenção é o melhor tratamento para inúmeras doenças que estamos propensos a ter. Por meio desse programa, a população ganha a oportunidade de conhecimento do seu estado de saúde ocular, podendo tratar qualquer doença que seja diagnosticada ou de enxergar melhor com o uso de óculos”.

Foi pela acessibilidade que a aposentada Olívia Campos, 68, procurou o programa. “Fiquei sabendo do ‘Boa Visão’ por um amigo. Antes, não tinha como ir de forma periódica porque as consultas são caras e acabava deixando para depois. Estou satisfeita em ser atendida por um programa que faz bem para muitas pessoas que, antes, se acostumavam com a visão ruim por não conseguirem ir até o médico”, conclui.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.